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Um dos grupos do Facebook voltados para a comunidade brasileira, ativo e que oferece ajuda mútua é o SOS Mamães no Japão. São mais de 11 mil mamães que independente da idade desabafam, pedem socorro e encontram soluções baseadas na solidariedade.

A autora, fundadora e gestora é uma mãe com 5 filhos, casada e que trabalha fora. Lilian Mishima é vista como doce, dinâmica, pulso firme e sempre sorridente e positiva. Certamente foi por causa desse perfil que tem a colaboração das mamães “adeemes”, as 21 moderadoras do grupo, espalhadas pelo arquipélago. O que as ADMs tem em comum com Lilian é disposição de servir. Gostam de ajudar, contribuir, encontrar soluções e ainda são criativas. A vida da fundadora mudou: “aprendi a ser mais tolerante, a reconhecer os valores das outras pessoas e a forma como devo abordá-las. São lições muito ricas.”

“Todo dia tem gente nova pedindo pra ser incluída”, revela Lilian. O filtro para a admissão é feito com rigor por todas. “Com o tempo fomos desenvolvendo esse feeling pra saber quem é pedófilo disfarçado de mamãe”, conta.

O grupo foi formado há 3 anos e era centrado nas mães de Komaki (Aichi), onde reside.  No começo ela usava de sua criatividade para atualizar conteúdo e hoje, ao contrário, ela e as “adeemes” se preocupam em responder e dar suporte, pois posts tem aos montes – desde verduras frescas a dúvidas sobre vacinas e traduções.

Lilian Mishima, autora, fundadora e gestora da página S.O.S Mamães no Japão
Lilian Mishima, autora, fundadora e gestora da página S.O.S Mamães no Japão

Para descontrair as mamães, foi criado o Dia do Mimimi, na sexta-feira. “Ah isso é muito divertido. Elas se xingam, dão risadas, desabafam e botam pra fora todo o estresse da semana. Escolhemos um tema e postamos lá. Depois, tudo é apagado”, detalha Lilian.

Mas o grupo não tem só risadas, alegria e briguinhas. “O lado triste tem violência doméstica, estupro, aborto de filho de homem casado e outros casos pesados”, revela Lilian.

Ponto de vista de uma integrante ativa

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Jessica Tsunoda, de Okazaki, participa ativamente

Jessica Tsunoda, casada e mãe de 2 filhos, mora em Okazaki (Aichi) é ativa no grupo. “Recebi muita informação e agora ajudo com que sei, respondendo às dúvidas das mães como eu”, conta. “Gosto do Mimimi pra dar risada, compartilho coisas que passam na tevê japonesa, ou outras sobre leis e médico que fico sabendo”, explica.

Group Of Mothers With Babies At Playgroup

Moderadoras relatam como é essa doação para o grupo

“Eu devo tudo às ‘adeemes’, pois é pura doação, tanto de conhecimento quanto de experiência”, fala Lilian.

São as moderadoras que passam horas do dia respondendo mensagens inbox, recados, pedidos de socorro, e perguntas das mais diversas nos posts das companheiras.

Camile Cecília Nishida, 25, é casada, mãe de um bebê
Camile Cecília Nishida, 25, é casada, mãe de um bebê

De Hamamatsu (Shizuoka), Camile Cecília Nishida, 25, é casada, mãe de um bebê, dona de casa e trabalha fora. No grupo ajuda como pode fazendo traduções, seu forte. “Tem umas 3 a 4 traduções por semana, por isso me sento às 22h00 e só fecho o computador depois da 1 hora, pois tem muitas situações que exigem urgência”, conta.

A doceira e salgadeira conta que já queimou panelas e bolo por ficar respondendo ou postando no grupo, revela Cristiane Massaki, de Fukuyama (Hiroshima), com humor. Atua também na regional e conta que essa tarefa não consome muitas horas do seu dia.

Cristiane Massaki e família
Cristiane Massaki

Para ela o grupo é importante, como se fosse uma terapia coletiva. “Mimimi é o tópico onde soltamos o pino da panela pra pressão sair e evitar que a panela exploda”, revela.

Dizem que a avó é ser mãe duas vezes. É o caso da Maria Elena Patinho, residente em Yawata (Quioto) e, além de ser uma das moderadoras, é também responsável por todos os “posts anônimos” do grupo.

Maria Elena Patinho

“Muitas me veem como mãe. Eu ajudo e sou ajudada, é uma troca. Tem mil que entram só pra tirar sarro, sempre tem mil que tem solidariedade e cada uma se doa do jeito que pode”, avalia.

 

Debora Sumie Shiro

A designer e vendedora Debora Sumie Shiro atua de Echizen (Fukui). As mães de Fukui dão carona, saem juntas e trocam figurinhas pessoalmente. Estima que se somar todos os momentos, deva ficar umas 8 horas gerenciando conflitos, mensagens inbox, solicitações, respostas e outros afazeres. “É prazeroso sim, tem que ser, né?! Afinal, não fazemos por dinheiro e sim por amor, o sentimento de compaixão. É o que me move aqui no grupo”, declara.

Conheça o grupo::.. https://www.facebook.com/groups/sosmamaeskomaki/

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