A China insta o Japão a "mostrar sinceridade" no diálogo sobre a disputa diplomática.
PEQUIM, 12 de junho (Xinhua) — A China instou o Japão nesta segunda-feira a "mostrar sinceridade" no diálogo para resolver a disputa diplomática sobre as recentes declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, a respeito de Taiwan.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, reiterou a exigência de Pequim de que Takaichi retirasse as declarações sobre um hipotético ataque chinês a Taiwan, que, segundo ela, poderiam provocar uma resposta das Forças de Autodefesa do Japão.
Após a cúpula do G20, que terminou no domingo na África do Sul, Takaichi disse a repórteres que não havia se reunido com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, à margem do evento, mas afirmou que Tóquio estava "aberta" a negociações em vários níveis.
Questionado sobre as notícias de que a China teria rejeitado a proposta do Japão de realizar uma cúpula trilateral com a Coreia do Sul em janeiro, Mao disse que os três países vizinhos asiáticos "ainda não chegaram a um consenso" sobre a data do encontro.
A porta-voz citou as "declarações errôneas" de Takaichi sobre Taiwan como a razão, alegando que elas "minaram os fundamentos e o ambiente" da cooperação trilateral.
O Japão, que preside a estrutura tripartite este ano, esperava realizar a cúpula o mais breve possível, mas não há planos sequer para discutir um cronograma específico para a reunião, de acordo com fontes diplomáticas.
Caso a cúpula trilateral se concretize, espera-se que o primeiro-ministro Li visite o Japão, criando uma potencial oportunidade para estabilizar as relações bilaterais.
Além disso, Mao criticou o plano do Japão de implantar uma unidade de mísseis na ilha de Yonaguni, na província de Okinawa, localizada a cerca de 110 quilômetros de Taiwan, classificando a decisão como "extremamente perigosa" e exigindo que os países vizinhos e a comunidade internacional estivessem em "alerta máximo".
Ela também afirmou que o destacamento "exacerbaria deliberadamente as tensões regionais e alimentaria o confronto militar". Pequim "jamais permitirá que o militarismo japonês ressurja", acrescentou Mao, enfatizando a determinação da China em defender sua soberania nacional e integridade territorial.
A porta-voz fez as declarações depois que o Ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, afirmou no domingo, durante sua visita à ilha de Yonaguni, que acreditava que o destacamento da unidade de mísseis não aumentaria as tensões regionais e buscou apoio local para o plano.
A China considera Taiwan uma província rebelde que deve ser unificada com o continente, pela força se necessário. A China, liderada pelos comunistas, e a ilha democraticamente autônoma são governadas separadamente desde sua separação em 1949, após uma guerra civil.
O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan afirmou nesta segunda-feira, em um relatório apresentado a uma comissão parlamentar, que ainda não está claro se o Japão ajudaria a defender a ilha em caso de conflito com Pequim, observando que Tóquio mantém uma posição de "ambiguidade estratégica" sobre uma possível contingência envolvendo o território.
Em caso de conflito no Estreito de Taiwan, a tomada de decisão do Japão seria influenciada por diversos fatores, incluindo a posição dos Estados Unidos e a opinião pública interna, indica o relatório.
Embora a opinião pública japonesa seja geralmente favorável a Taiwan, continua difícil interpretar as declarações de Takaichi como um indício de que Tóquio sairia em defesa da ilha, acrescentou o ministério.
Outro relatório do gabinete de segurança de Taiwan indica que a campanha de pressão da China contra o Japão, após as declarações de Takaichi, atraiu a atenção internacional, e os parceiros democráticos continuam a enfatizar a importância da paz e da estabilidade no Estreito de Taiwan e de um Indo-Pacífico livre e aberto.

