A China volta a instar seus cidadãos a não viajarem para o Japão em meio à escalada das tensões.

A China volta a instar seus cidadãos a não viajarem para o Japão em meio à escalada das tensões.

PEQUIM – O crescente conflito diplomático em torno das recentes declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan, levou a embaixada chinesa no Japão a emitir um novo alerta de viagem para o país vizinho, afirmando que o ambiente de segurança no Japão se deteriorou.

No segundo alerta, emitido na noite de quarta-feira, após o de 14 de novembro, a embaixada instou os cidadãos chineses já no Japão a aumentarem sua atenção à segurança e a se protegerem, referindo-se a "numerosos relatos recentes" de expatriados que afirmaram ter sido "insultados, espancados e feridos" sem provocação.

Na última sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Japão divulgou dados sobre criminalidade para refutar a alegação chinesa.

As autoridades japonesas revelaram que houve sete assassinatos e 21 roubos no Japão envolvendo cidadãos chineses entre janeiro e outubro deste ano, em comparação com 14 assassinatos, 18 roubos e três incêndios criminosos que afetaram cidadãos chineses durante o mesmo período do ano passado, afirmou ele.

Os números incluem casos em que os autores eram chineses.

Sem apresentar dados específicos, a embaixada chinesa afirmou que o número de pedidos de assistência de cidadãos do país relacionados à discriminação sofrida no Japão "aumentou consideravelmente, particularmente em novembro".

A embaixada também destacou estatísticas compiladas pela Polícia Nacional Japonesa, mostrando que o número de casos criminais no país aumentou de aproximadamente 568.000 em 2021 para aproximadamente 738.000 em 2024.

Na quarta-feira, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, instou Tóquio a garantir a segurança dos cidadãos chineses no Japão, afirmando que "muitos discursos extremistas e ameaçadores contra a China podem ser encontrados na internet".

Ela também afirmou que a embaixada e os consulados chineses têm sido "repetidamente assediados, tanto online quanto offline, por provocadores de direita".

Shunsuke Tanabe, professor de sociologia política na Universidade de Waseda, afirmou que o discurso online não leva imediatamente a uma deterioração do ambiente de segurança no Japão. Ele instou os políticos japoneses a "enviarem uma mensagem forte", indicando que o país não tolera o exclusivismo.

Após a publicação do segundo alerta de viagem, alguns usuários chineses de redes sociais pediram a seus compatriotas que evitassem viajar para o Japão "para não causar problemas" ao país.

Além do alerta de viagem, a China, em 16 de novembro, instou seus cidadãos a reconsiderarem cuidadosamente seus estudos no Japão, citando riscos de segurança.

Um agente de Pequim que oferece serviços a chineses que consideram estudar no exterior disse que tem havido um número crescente de consultas de pessoas preocupadas em estudar no Japão.

A disputa bilateral teve origem nas declarações parlamentares de Takaichi, em 7 de novembro, nas quais ele sugeriu que um ataque chinês a Taiwan, a ilha democrática autogovernada reivindicada por Pequim, poderia desencadear uma resposta envolvendo as forças de defesa japonesas.

Entretanto, a grande varejista japonesa Aeon Co. inaugurou um grande shopping center em Changsha, capital da província de Hunan, na China, na quinta-feira, com muitos compradores locais comparecendo ao local, apesar das tensões sino-japonesas.

Alguns usuários de redes sociais afirmaram que jamais farão compras em um supermercado japonês. Em 2012, manifestantes destruíram lojas japonesas em Changsha durante protestos anti-japoneses desencadeados pela compra, por Tóquio, de diversas ilhas disputadas no Mar da China Oriental, que pertenciam a um proprietário privado, colocando-as sob controle estatal.