A França informa que o G7 está considerando escoltar navios no Oriente Médio durante a guerra.
TÓQUIO — O Grupo dos Sete países industrializados concordou nesta quarta-feira em explorar a possibilidade de escoltar navios no Oriente Médio, assim que as condições de segurança forem atendidas, disse a França, que preside o G7 este ano, em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Em comunicado divulgado após a cúpula online do grupo, o governo francês afirmou que o plano de escolta de navios visava restaurar a "liberdade de navegação na região".
Entretanto, o secretário-chefe do Gabinete japonês, Minoru Kihara, afirmou em uma coletiva de imprensa em Tóquio, na quinta-feira, que o anúncio foi feito "por decisão própria da França, enquanto presidente" e se recusou a dar mais detalhes.
O Japão pode enfrentar uma escolha difícil quanto à sua participação no projeto de escolta naval das forças do G7, visto que o país há muito tempo adota uma política focada exclusivamente na defesa, conforme sua Constituição de renúncia à guerra, que permite o recurso limitado à autodefesa coletiva.
"Manter a paz e a estabilidade no Oriente Médio é extremamente importante para o Japão, e continuaremos a trabalhar em estreita colaboração com os países relevantes, incluindo os membros do G7, e a fazer todos os esforços diplomáticos necessários para uma rápida desescalada da situação", acrescentou Kihara, o principal porta-voz do governo.
O Japão importa mais de 90% do seu petróleo do Oriente Médio, o que o torna vulnerável ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, que bloqueou o transporte de petróleo e gás para fornecedores na região após o ataque dos EUA e de Israel ao Irã no final do mês passado.
Também na quinta-feira, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, falando em uma sessão parlamentar, descartou o envio das Forças de Autodefesa para a região para preparar operações de desminagem, visto que o Irã havia começado a instalar minas no estreito.
Ela enfatizou que a remoção de minas colocadas por um país em guerra como parte de um ataque armado antes de um acordo formal de cessar-fogo poderia constituir uso da força.
No caso de minas abandonadas, Takaichi afirmou que sua remoção não constitui uso da força, mas acrescentou que é "extremamente difícil prever" quando uma mina será abandonada.

