Altos funcionários japoneses e chineses estão realizando negociações em meio à escalada das tensões.
PEQUIM – Altos funcionários do Japão e da China realizaram conversas em Pequim na terça-feira, disseram fontes do governo japonês, em meio à escalada das tensões após recentes declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan, que desencadearam uma acentuada deterioração nas relações bilaterais.
Masaaki Kanai, chefe do Departamento de Assuntos Asiáticos e da Oceania do Ministério das Relações Exteriores do Japão, reuniu-se com seu homólogo, Liu Jinsong. Por meio dessas conversas, Tóquio busca atenuar o conflito diplomático que começou a afetar os setores de turismo, educação e entretenimento entre os dois países vizinhos.
Pequim apresentou um protesto depois que Takaichi, um linha-dura chinês conhecido por sua postura pró-Taiwan, disse a uma comissão parlamentar em 7 de novembro que um ataque militar à ilha autônoma poderia constituir uma "situação de risco de sobrevivência" para o Japão, indicando uma possível resposta envolvendo as Forças de Autodefesa do Japão.
A China, que considera a ilha democrática uma província rebelde que deve ser unificada ao continente, pela força se necessário, exigiu que Takaichi se retratasse de suas declarações. Ele afirma que a questão de Taiwan é puramente um "assunto interno".
Durante as discussões com Liu, Kanai enfatizou que Takaichi não havia alterado a posição do Japão, conforme declarado em um comunicado conjunto de 1972, indicaram fontes do governo japonês.
No documento, Tóquio reconheceu a República Popular da China como o único governo legítimo da China, abandonando seu reconhecimento diplomático de Taiwan.
A China comunista e a Taiwan democrática são governadas separadamente desde a sua separação em 1949, após uma guerra civil.
Kanai também provavelmente levantaria a questão de uma postagem nas redes sociais do Cônsul Geral da China em Osaka, Xue Jian, que, aparentemente irritado com os comentários de Takaichi, ameaçou "cortar o pescoço de qualquer um sem hesitar um momento".
Em Tóquio, o secretário do gabinete, Minoru Kihara, afirmou na terça-feira que o Japão está "aberto a todos os tipos de diálogo" com a China.
Seus comentários surgem um dia depois de o Ministério das Relações Exteriores da China ter afirmado que o primeiro-ministro Li Qiang não planejava se encontrar com Takaichi na África do Sul, onde a cúpula de dois dias dos líderes do G20 deve começar no sábado.
Na última sexta-feira, o governo chinês recomendou que seus cidadãos evitassem viajar para o Japão e, no domingo, pediu àqueles que consideram estudar no Japão que reconsiderem cuidadosamente sua decisão, citando riscos de segurança.
A mídia chinesa noticiou nesta segunda-feira que o lançamento de dois filmes japoneses na China, originalmente previsto para o final desta semana e início de dezembro, foi adiado.

