Fãs da China continental viajam para Hong Kong para assistir ao filme "Demon Slayer"

Fãs da China continental viajam para Hong Kong para assistir ao filme 'Demon Slayer'

HONG KONG – A mais recente adaptação cinematográfica do popular mangá japonês “Demon Slayer” conquistou Hong Kong, atraindo inúmeros fãs da China continental, enquanto sua data de lançamento permanece indefinida, de acordo com postagens nas redes sociais.

Já o filme de anime de maior bilheteria do mundo, "Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba — Infinity Castle Parte 1: Akaza Returns" deve liderar as bilheterias de Hong Kong este ano. Até 1º de outubro, as vendas de ingressos em Hong Kong e na vizinha Macau ultrapassaram HK$ 100 milhões (US$ 12,9 milhões).

No entanto, o filme ainda não foi lançado oficialmente na China continental e nenhuma data de estreia foi anunciada.

Baseado no mangá serializado na Weekly Shonen Jump de 2016 a 2020, a história acompanha Tanjiro Kamado, um jovem que luta contra demônios devoradores de humanos enquanto busca restaurar a humanidade de sua irmã após ela se tornar um deles. A história se passa durante a era Taisho no Japão (1912-1926).

Infinity Castle sucede o sucesso de bilheteria de 2020 "Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – O Filme: Mugen Train", que se tornou o filme japonês de maior bilheteria de todos os tempos. Este filme anterior também permanece inédito na China continental.

O novo filme é o primeiro de uma trilogia planejada e serve como sequência da adaptação em anime de quatro temporadas. Lançada pela primeira vez em 2019, a série se tornou o anime mais assistido na plataforma de streaming chinesa Bilibili naquele ano.

Apesar de sua popularidade, Demon Slayer foi criticado na China e na Coreia do Sul. Alguns críticos argumentam que os brincos do protagonista Tanjiro lembram a Bandeira do Sol Nascente, usada pelo Exército e Marinha Imperiais Japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

Além disso, a mídia chinesa citou as "cenas de batalha excessivamente sangrentas" do filme como um possível motivo para bloquear sua aprovação no país.

Incapazes de esperar, muitos fãs do continente viajaram para regiões vizinhas para assistir ao filme, sendo Hong Kong uma das opções mais acessíveis.

A especialista em publicidade Lea Zhao fez a viagem de uma hora de Shenzhen, no sul da China, cerca de uma semana após a estreia do filme em Hong Kong, em 14 de agosto. A atriz de 31 anos disse que viaja para Hong Kong até seis vezes por ano só para ver filmes, especialmente aqueles adiados ou censurados na China continental.

"Às vezes, os controles na China continental são muito rígidos", disse Zhao, acrescentando que achou Hong Kong "mais conectada com a comunidade internacional" e culturalmente aberta.

No RedNote — o equivalente chinês do Instagram e do Pinterest — os usuários compartilharam postagens sobre suas experiências cinematográficas em Hong Kong, desde dicas sobre como reservar ingressos on-line até respeitar a etiqueta do cinema local.

Algumas agências de viagens de Hong Kong até introduziram "tours de cinema" de luxo para visitantes do continente, oferecendo exibições privadas e pacotes de produtos por até 499 yuans (US$ 70) por pessoa.

Kenny Ng, professor associado de estudos cinematográficos na Universidade Batista de Hong Kong, disse que a cidade se beneficia há muito tempo dos rígidos controles cinematográficos na China continental, principalmente desde 2003, quando viagens individuais de algumas províncias chinesas foram permitidas pela primeira vez após o surto de SARS e a consequente crise econômica.

"As autoridades do continente não querem ver (muitos) filmes japoneses exibidos lá", disse Ng, observando que neste ano, que marca os 80 anos da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, vários filmes com "sentimentos antijaponeses bastante óbvios" foram exibidos no continente.

O sucesso de Demon Slayer também trouxe o alívio muito necessário à indústria cinematográfica de Hong Kong, que enfrentava fechamentos generalizados de cinemas, queda nas receitas de bilheteria e declínio na produção cinematográfica local.

Somente em 2024, nove cinemas fecharam ou suspenderam suas operações, e a receita total de bilheteria caiu para HK$ 1,34 bilhão, o menor nível em 13 anos.

A mídia local atribuiu a desaceleração à desaceleração da economia e à crescente preferência por streaming de filmes em casa.