Japão abre "corredores aéreos" para drones inspecionarem linhas de energia.

Japão abre "corredores aéreos" para drones inspecionarem linhas de energia.

TÓQUIO – O Japão está se preparando para abrir “corredores aéreos” aprovados pelo governo para drones sobre as linhas de energia que cruzam o país, à medida que as concessionárias buscam maneiras mais seguras e rápidas de inspecionar a infraestrutura em regiões montanhosas.

Os esforços para construir essas rotas aéreas estão se intensificando como parte das iniciativas das empresas de energia elétrica e de tecnologia para modernizar o trabalho de inspeção e lidar com a escassez de mão de obra.

Algumas rotas já estão operacionais, permitindo que drones patrulhem e inspecionem a infraestrutura de transmissão e distribuição de energia elétrica. O objetivo é expandir a rede para todo o país, atingindo 40.000 quilômetros até o ano fiscal de 2035, com previsão de uso futuro também para resposta a desastres e logística.

"Muito bem, vamos lá", disse um trabalhador em novembro passado, enquanto um drone decolava nas montanhas Chichibu, na província de Saitama. Subindo a cerca de 140 metros, a aeronave fez um percurso de ida e volta de 500 metros ao longo de uma linha de transmissão de energia, com a câmera apontada para cabos e torres.

Os trabalhadores observavam imagens ao vivo em um tablet, estudando-as enquanto procuravam as rotas de voo mais adequadas para patrulhas e inspeções de rotina.

A construção das estradas e o desenvolvimento do sistema são gerenciados pela Grid Sky Way LLP, uma empresa sediada em Tóquio e financiada por empresas de transmissão e distribuição de eletricidade, bem como pela NTT Data Group Corp. e pela Hitachi Ltd.

O projeto visa um dos desafios mais persistentes do setor: a inspeção de equipamentos em áreas montanhosas, onde os trabalhadores tradicionalmente precisam se deslocar para locais remotos e subir em torres para realizar verificações visuais.

Este trabalho é fisicamente exigente e demorado, e surge num momento em que o setor enfrenta escassez de mão de obra devido ao envelhecimento da população japonesa.

Durante uma demonstração realizada pela Grid Sky Way LLP, os inspetores descobriram que a utilização de métodos convencionais para inspecionar duas torres em uma área montanhosa exigia dois trabalhadores e mais de oito horas.

Graças aos drones, a mesma tarefa poderia ser realizada em cerca de três horas, com um único operador trabalhando na base da montanha.

Shuhei Amano, da TEPCO Power Grid Inc., que participou da inspeção em Chichibu, afirmou que a mudança pode melhorar tanto a segurança quanto a eficiência. "A introdução de drones elimina a necessidade de pessoas entrarem nas montanhas", disse ele.

Os drones oferecem vantagens que outros métodos aéreos não conseguem proporcionar. Helicópteros e aviões correm o risco de atingir linhas de energia e não podem se aproximar delas.

Os drones podem operar com precisão perto de cabos sem a necessidade de instalar novas estruturas físicas para definir rotas. A altura e a largura podem ser definidas digitalmente em um espaço tridimensional, e permitir que vários operadores compartilhem o mesmo espaço aéreo reduzirá a carga sobre as empresas individuais.

Em março passado, o governo aprovou uma zona piloto para uma rota de drones de 150 km centrada em Chichibu. Dado que as linhas de energia elétrica estão frequentemente localizadas em regiões montanhosas, uma maior expansão exigirá o desenvolvimento da infraestrutura de comunicação necessária para operações remotas com drones.

As rotas também se estendem além do espaço aéreo, sobre linhas de energia. Em Hamamatsu, na província de Shizuoka, as autoridades aprovaram rotas para drones sobre o rio Tenryu e áreas adjacentes, onde serão utilizadas para monitoramento fluvial. Há planos para desenvolver rotas semelhantes em todos os principais rios do país.

Koichi Adachi, CEO da Grid Sky Way, afirmou que os drones podem ajudar a solucionar diversos desafios sociais. "Os drones têm o potencial de resolver uma série de problemas sociais", disse ele. "Uma tarefa importante para o futuro é explorar as necessidades para que as rotas que desenvolvermos possam ser utilizadas por muitas empresas."