Japão se inclina a retirar programa de "cidade natal" da África após reação negativa

Japão se inclina a retirar programa de "cidade natal" da África após reação negativa

TÓQUIO – A agência de ajuda apoiada pelo governo do Japão está considerando abandonar seu programa "cidade natal", o que levou a ligações e e-mails para cidades designadas como locais do programa em meio a alegações de que ele promove a imigração da África, disseram várias fontes familiarizadas com o assunto na quinta-feira.

Depois que a Agência de Cooperação Internacional do Japão designou no mês passado as quatro cidades para fortalecer o comércio com o continente, os governos municipais foram inundados com reclamações públicas alegando que o aumento da migração da África pioraria a ordem pública.

No âmbito do programa "Jica Africa Hometown", as quatro cidades foram designadas como países parceiros na África: Imabari, na província de Ehime, foi geminada com Moçambique, Kisarazu, na província de Chiba, com a Nigéria, e Nagai, na província de Yamagata, com Gana.

Após o anúncio feito à margem da Nona Conferência Internacional de Tóquio sobre Desenvolvimento Africano, realizada em Yokohama em agosto, o governo nigeriano disse que o Japão "criaria uma categoria especial de visto para jovens nigerianos altamente qualificados, inovadores e talentosos que quisessem se mudar para Kisarazu para viver e trabalhar".

O Japão disse que não tinha planos de introduzir tal visto e pediu à Nigéria que corrigisse suas informações.

Mais cedo na quinta-feira, o secretário-chefe do gabinete, Yoshimasa Hayashi, disse em uma entrevista coletiva que o governo estava discutindo o programa com a JICA, o Ministério das Relações Exteriores e os governos municipais para tomar uma decisão rápida sobre sua direção.

O Japão tradicionalmente adota políticas de imigração rígidas e uma postura cautelosa em relação a trabalhadores estrangeiros, ao mesmo tempo em que aceita um número crescente de "trabalhadores qualificados específicos" do exterior para compensar a escassez crônica de mão de obra em meio ao envelhecimento da sociedade e ao declínio da taxa de natalidade.