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Kihara pede cautela diante das declarações "enganosas" de Taiwan.

O principal porta-voz do governo japonês alertou que futuras declarações sobre Taiwan devem ser feitas com "extrema cautela", após os comentários da primeira-ministra Sanae Takaichi terem provocado uma reação negativa da China e correrem o risco de serem mal interpretados.

O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, afirmou em uma coletiva de imprensa em 21 de novembro que o governo terá que ser extremamente cauteloso no futuro para evitar quaisquer mal-entendidos.

Ele observou que o recente depoimento de Takaichi à Dieta sobre uma resposta de emergência japonesa a Taiwan "poderia ter sido interpretado como um estudo de caso" de um cenário específico.

"Se algo enganoso acontecer, devemos reagir com extrema cautela no futuro", disse Kihara.

PASSADOS ANTERIORES

O Secretário-Chefe do Gabinete estava respondendo à pergunta de um repórter sobre se as declarações de Takaichi, que partiam do pressuposto de que as forças americanas se mobilizariam para defender Taiwan em caso de crise, eram apropriadas.

Em deliberações anteriores na Dieta, o governo japonês citou exemplos como a proteção de navios americanos que transportavam cidadãos japoneses e a desminagem do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, situações em que o Japão poderia exercer seu direito à autodefesa coletiva em que sua sobrevivência estivesse ameaçada.

Tendo em mente as recentes sessões da Dieta, Kihara salientou: "Os estudos de caso específicos e concretos têm sido extremamente limitados."

Ele afirmou que as últimas declarações do Primeiro-Ministro foram "um tanto diferentes (das discussões anteriores na Dieta) e poderiam ser consideradas um estudo de caso".

CONTEXTO DO GRUPO DE 20

No mesmo dia, Takaichi partiu do Aeroporto de Haneda para participar da Reunião de Líderes do G20, que será realizada em Joanesburgo nos dias 22 e 23 de novembro.

Antes de partir, ela conversou com jornalistas.

Em relação à crescente irritação da China com suas declarações, ela reafirmou que a promoção de uma relação mutuamente benéfica, baseada em interesses estratégicos comuns com a China, foi confirmada na cúpula Japão-China realizada no final de outubro.

"Não houve absolutamente nenhuma mudança nessa forma de pensar", enfatizou Takaichi.

Ela também reiterou a posição habitual do governo de que "o tipo de situação que constitui uma ameaça à sobrevivência é algo que o governo avaliará globalmente com base em todas as informações, de acordo com as circunstâncias específicas e concretas da situação que de fato ocorreu".

Diante das reações negativas de Pequim às declarações de Takaichi, Tóquio adotou a posição de que "o diálogo é importante precisamente porque existem questões pendentes", de acordo com um assessor próximo ao primeiro-ministro.

O lado japonês também explorou a possibilidade de uma breve conversa informal entre Takaichi e o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, na cúpula do G20.

No entanto, o Ministério das Relações Exteriores da China declarou repetidamente: "Não há planos (para uma reunião)".

Além disso, a China está aumentando a pressão econômica, por exemplo, interrompendo efetivamente as importações de frutos do mar japoneses, alegando preocupações com o despejo no mar de água tratada da usina nuclear de Fukushima nº 1, que está paralisada.

Em 21 de novembro, em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, voltou a pedir que Takichi se retratasse de suas declarações.

Em relação ao comentário de Takaichi de que seu pensamento sobre a promoção de uma relação mutuamente benéfica não havia mudado, Mao disse: "Se o lado japonês deseja sinceramente promover uma relação mutuamente benéfica com base em interesses estratégicos comuns, deve retratar-se de suas declarações errôneas e cumprir suas promessas à China por meio de ações concretas."

Em resposta à postura intransigente da China, vozes dentro do governo japonês estão se tornando cada vez mais fortes a favor de abandonar as esperanças de uma cúpula do G20 e buscar outra oportunidade.

Um alto funcionário do gabinete do primeiro-ministro perguntou: "Deveríamos mesmo iniciar um diálogo com o lado chinês agora?"

(Este artigo foi escrito por Haruka Suzuki, Nobuhiko Tajima e pelo correspondente Tokuhiko Saito.)