Manifestantes vestidos de Pikachu exigem que o Japão cesse o financiamento de combustíveis fósseis na conferência climática da ONU.

Manifestantes vestidos de Pikachu exigem que o Japão cesse o financiamento de combustíveis fósseis na conferência climática da ONU.

BELÉM, Brasil – Manifestantes vestidos de Pokémon marcharam ao redor da conferência climática das Nações Unidas na sexta-feira para enviar uma mensagem ao Japão: acabe com o financiamento de projetos de carvão e gás natural no Sudeste Asiático e em outras partes do Sul.

O protesto "Pare os Planos de Energia Suja do Japão" fez parte do primeiro de dois dias dedicados à energia na conferência anual sobre o clima, conhecida como COP30, realizada este ano em Belém, na orla da Amazônia brasileira. Os organizadores do protesto afirmaram que esses investimentos representam um grande ponto cego para o Japão, que geralmente tem voz regional nas negociações climáticas e frequentemente se apresenta como líder na descarbonização na Ásia.

"O Japão está, na verdade, atrasando a eliminação gradual dos combustíveis fósseis na Ásia" ao financiar projetos de energia, principalmente o desenvolvimento de gás natural liquefeito, em países como Tailândia, Malásia, Indonésia e Filipinas, disse Hiroki Osada, da organização Amigos da Terra Japão, uma das organizadoras da manifestação.

Ativistas, incluindo um vestido de Pikachu, protestam contra o financiamento de projetos de carvão e gás natural pelo Japão durante a cúpula climática COP30 da ONU, na sexta-feira, 14 de novembro de 2025, em Belém, Brasil. (Foto AP)

"É muito importante que nossos camaradas do Sul expressem suas preocupações em Belém, para que possam de fato exigir que o governo japonês faça algo a respeito", disse ele.

O Banco Japonês para Cooperação Internacional, estatal, financiou US$ 6,4 bilhões em empréstimos para projetos de carvão e US$ 874 milhões em empréstimos para projetos de gás entre 2016 e 2024, segundo um estudo de 2025 do Centro para Energia, Ecologia e Desenvolvimento, organização de pesquisa e defesa de direitos com sede nas Filipinas, que utilizou dados públicos e bancários. O banco, principal canal de ajuda externa do Japão, não respondeu aos pedidos de comentários.

A delegação japonesa na COP30 respondeu à Associated Press, mas recusou-se a comentar diretamente as alegações dos ativistas. Em vez disso, as autoridades japonesas declararam que a cooperação do Japão com os países do Sudeste Asiático para alcançar simultaneamente "descarbonização, crescimento econômico e segurança energética por diversos meios" contava com o apoio desses países.

Um par de Pikachus em movimento
A manifestação teve como foco duas pessoas vestindo fantasias infláveis ​​de Pikachu em tamanho real, que flanqueavam um pequeno grupo de ativistas.

O evento reuniu ativistas de toda a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), região que abriga diversos projetos de combustíveis fósseis financiados pelo Japão. Uma faixa dizia: “Não gaseiem a ASEAN”. Ian Rivera, coordenador nacional do Movimento Filipino por Justiça Climática, liderou os cânticos de “Só Pokémon, nada de combustíveis fósseis” e “Adeus, combustíveis fósseis”.

Em seguida, os Pikachus visitaram os pavilhões nacionais da Índia, Indonésia e Malásia para "revelar como o Japão exporta seu programa de combustíveis fósseis".

"Se os países do norte, como o Japão, decidirem dobrar sua produção e exportação de combustíveis fósseis, será impossível para os países do sul alcançarem uma transição energética justa", disse Amiera Sawas, chefe de pesquisa e política da Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis.

O protesto do Pikachu, comum em cúpulas recentes, ocorreu entre outras manifestações contra os combustíveis fósseis e aconteceu depois que um protesto na manhã de sexta-feira bloqueou a entrada principal da conferência e aumentou as medidas de segurança na COP30. Mais cedo, ativistas haviam realizado um evento chamado "Fora os Engravatados", exigindo a retirada dos lobistas dos combustíveis fósseis, que ambientalistas acusavam de sabotar as negociações.

No sábado, enquanto se esperam grandes manifestações a meio da COP, uma grande marcha incluirá um "funeral dos combustíveis fósseis", onde caixões gigantes – simbolizando carvão, petróleo e gás – serão carregados pelas ruas de Belém.

Combustíveis fósseis no centro dos debates climáticos da ONU
O esforço global para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis foi um tema central na COP30. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva deu o tom na Cúpula de Líderes da semana passada, ao pedir aos líderes mundiais que preparassem um roteiro para "superar a dependência dos combustíveis fósseis".

Diversos países – como Dinamarca, Reino Unido, Quênia, França e Alemanha – apoiaram o apelo de Lula por medidas concretas.

Na COP28 em Dubai, quase 200 países concordaram em abandonar os combustíveis fósseis, o primeiro compromisso em décadas de negociações climáticas da ONU. Mas muitos alertaram que o acordo ainda apresentava lacunas significativas.

“Na COP30, precisamos de resultados concretos, não de mais um roteiro que não leva a lugar nenhum”, disse Jasper Inventor, diretor adjunto de programas do Greenpeace Internacional. “Embora seja positivo ver progresso em Belém, precisamos garantir que isso realmente leve a um plano claro para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e a aceleração da transição para energias renováveis.”