O Banco do Japão eleva sua taxa básica de juros para 0,75%, o nível mais alto em 30 anos, em meio à inflação persistente.

O Banco do Japão eleva sua taxa básica de juros para 0,75%, o nível mais alto em 30 anos, em meio à inflação persistente.

TÓQUIO – O Banco do Japão elevou na sexta-feira sua taxa básica de juros para o nível mais alto em 30 anos, em cerca de 0,75 ponto percentual, ante 0,50%, e deixou em aberto a possibilidade de novos aumentos, na expectativa de que o crescimento constante dos salários e a atenuação das preocupações econômicas contribuam para atingir sua meta de estabilidade da inflação.

O Conselho de Orientação Política, composto por nove membros, decidiu por unanimidade, em uma reunião de dois dias, prosseguir com o primeiro aumento da taxa de juros desde janeiro, à medida que a incerteza sobre o impacto econômico das tarifas americanas diminuiu e a depreciação do iene manteve as pressões inflacionárias sob controle, em mais um passo rumo à normalização política.

Nos mercados financeiros, o iene enfraqueceu brevemente para a faixa inferior de 156, enquanto o rendimento do título do governo japonês de referência com vencimento em 10 anos subiu acima de 2.000% pela primeira vez desde 2006, após o primeiro aumento da taxa de juros desde que Sanae Takaichi, defensora da flexibilização monetária, assumiu o cargo de primeira-ministra.

Em comunicado divulgado após a reunião, o Banco do Japão afirmou que a probabilidade de atingir seu cenário base, segundo o qual a inflação subjacente estaria em linha com a meta de 2%, estava aumentando, um pré-requisito para novos aumentos.

O Banco do Japão afirmou que considerou "apropriado" ajustar o grau de afrouxamento monetário para atingir a meta de preços, num momento em que os preços ao consumidor, um indicador-chave da inflação, permaneceram iguais ou acima da meta de 2% por mais de três anos e meio.

Embora o aumento da taxa de juros seja simbólico, o banco central mantém a visão de que as condições monetárias permanecem acomodativas após uma década de afrouxamento monetário atípico com o objetivo de superar a deflação crônica.

O Banco do Japão afirmou, em comunicado divulgado após a reunião, que continuará a aumentar sua taxa básica de juros com base na evolução da economia e dos preços.

A atenção do mercado agora se volta para a próxima decisão do Banco do Japão (BoJ), que poderá levar a taxa de juros de curto prazo para o limite inferior de sua faixa neutra, onde a economia não é estimulada nem desacelerada, estimada pelo banco entre 1% e 2,5%.

O governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, deverá realizar uma coletiva de imprensa ainda hoje, enquanto os mercados financeiros aguardam para ver se ele fornecerá novas indicações sobre as perspectivas da política monetária.

Taxas de juros mais altas encarecem o crédito, desacelerando o consumo e o investimento e, em última análise, ajudando a estabilizar os preços. Essa medida provavelmente fortalecerá o iene, reduzindo assim os custos de importação, que têm sido um dos principais fatores da atual inflação de custos.

A taxa básica de juros foi elevada ao seu nível mais alto desde 1995, apesar da opinião do mercado de que o governo Takaichi estava relutante em aprovar uma medida que pudesse arrefecer a economia.

Mas Takaichi demonstrou recentemente tolerância a um aumento da taxa de juros, afirmando que "os métodos específicos de política monetária devem ser deixados a cargo do Banco do Japão".

Desde que Takaichi assumiu o cargo em outubro, o iene tem estado sob pressão em meio a temores de que sua política de gastos expansionistas deteriore ainda mais a saúde fiscal do Japão, desencadeando uma onda de vendas de moeda e títulos do governo.

O Banco do Japão parece estar nadando contra a maré de cortes nas taxas de juros, como visto nos Estados Unidos e na Europa. Ainda assim, sua taxa básica de juros é relativamente baixa em comparação com as taxas estabelecidas pelo Federal Reserve dos EUA e pelo Banco Central Europeu.