O Japão buscará relações construtivas e estáveis ​​com a China (Primeiro-Ministro Takaichi)

O Japão buscará relações construtivas e estáveis ​​com a China (Primeiro-Ministro Takaichi)

TÓQUIO – A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou nesta quarta-feira que o Japão buscará construir relações construtivas e estáveis ​​com a China por meio do diálogo, em meio à recente escalada das tensões bilaterais.

Em uma coletiva de imprensa após uma sessão parlamentar extraordinária realizada no mesmo dia, Takaichi descreveu a China como um "vizinho importante", afirmando: "Minha posição de construir relações construtivas e estáveis ​​permanece inalterada desde que assumi o cargo."

"O Japão sempre mantém a porta aberta para o diálogo porque ambas as nações têm problemas a resolver", disse Takaichi, que se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do país em 21 de outubro e é conhecida por suas posições firmes em relação à segurança.

A foto tirada em Pequim mostra as bandeiras nacionais do Japão e da China. (Kyodo)

Desde que Takaichi sugeriu, em 7 de novembro, que um ataque a Taiwan poderia representar uma ameaça existencial para o Japão e justificar uma resposta das Forças de Autodefesa do país, a China adotou uma série de medidas, incluindo um alerta de viagem desaconselhando visitas ao Japão e a retomada das importações de frutos do mar japoneses.

A China, liderada pelos comunistas, vê a ilha democrática e autônoma como uma província rebelde que deve ser reunida ao continente, pela força se necessário, e considera a questão de Taiwan um assunto puramente "interno".

A China também intensificou suas atividades militares. No início deste mês, caças chineses interceptaram intermitentemente os radares de aeronaves da Força Aérea de Autodefesa do Japão no Pacífico, a sudeste da ilha principal de Okinawa, de acordo com o Ministério da Defesa japonês.

"Minhas observações sobre a situação que ameaça a nossa sobrevivência não alteram a posição adotada pelos governos anteriores", disse Takaichi, acrescentando que o Japão explicará isso "persistentemente" à China e à comunidade internacional em vários níveis.

Seus antecessores evitavam discutir um cenário específico ao responder perguntas sobre o assunto.

Takaichi, por sua vez, expressou sua esperança de realizar sua segunda cúpula presencial com o presidente dos EUA, Donald Trump, "o mais breve possível", além de prometer promover laços com a Coreia do Sul por meio de visitas recíprocas.

No final de outubro, Takaichi deu o primeiro passo diplomático ao se encontrar com Trump em Tóquio e manter conversas separadas com o presidente chinês Xi Jinping e o presidente sul-coreano Lee Jae Myung à margem de um encontro regional na Coreia do Sul.

Em nível nacional, o governo de Takaichi tem enfrentado dificuldades para gerir os assuntos parlamentares, uma vez que a coligação entre o seu Partido Liberal Democrático e o seu parceiro minoritário, o Partido da Inovação do Japão, permanece em minoria na Câmara dos Conselheiros e detém apenas uma pequena maioria na Câmara dos Representantes.

As pesquisas de opinião pública mostraram que o gabinete de Takaichi manteve um alto índice de aprovação desde sua formação, e as eleições gerais antecipadas, desencadeadas pela dissolução da câmara baixa, podem dar ao bloco governista a chance de garantir uma maioria confortável.

Na conferência de imprensa, Takaichi afirmou que "não tinha tempo para considerar" a dissolução da câmara baixa, descartando assim eleições antecipadas num futuro próximo, e que o PLD manteria as suas relações com o JIP, conhecido como Nippon Ishin.

Os dois partidos assinaram um acordo de coligação em 20 de outubro, ajudando Takaichi a garantir a vitória na votação da Dieta para escolher o primeiro-ministro no dia seguinte.