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Japão critica a China após o fracasso das negociações culturais trilaterais com a Coreia do Sul.

TÓQUIO — O principal porta-voz do governo japonês criticou a China nesta sexta-feira, após o país decidir adiar uma reunião trilateral de ministros da cultura que também incluía a Coreia do Sul. A situação ocorre em meio a uma crescente disputa diplomática sobre as declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi a respeito de Taiwan, que começou a afetar as interações com o setor privado.

Em uma coletiva de imprensa, o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, rejeitou as declarações da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, classificando-as como "prejudiciais às relações bilaterais entre os povos" e "conflitantes" com o objetivo comum de Tóquio e Pequim de construir relações construtivas e estáveis.

Mao afirmou em uma coletiva de imprensa em Pequim, na quinta-feira, que as "declarações extremamente errôneas" de Takaichi impossibilitaram a realização da reunião agendada para a próxima segunda-feira em Macau e "minaram os fundamentos e o clima" da cooperação tripartite.

O Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul afirmou na quinta-feira que foi informado pela China dois dias antes sobre a suspensão da reunião. Kihara disse que não houve nenhum anúncio oficial sobre o assunto e se recusou a comentar o adiamento.

Japão e China estão envolvidos em um conflito diplomático desde que Pequim criticou severamente a resposta de Takaichi a perguntas parlamentares em 7 de novembro, na qual ele afirmou que um ataque militar a Taiwan poderia representar uma "situação de risco de vida" para o Japão, indicando uma possível resposta envolvendo suas Forças de Autodefesa.

A China comunista e a Taiwan democrática são governadas separadamente desde a sua separação em 1949, após uma guerra civil. Pequim considera a ilha autônoma uma província separatista que deve ser reunificada com o continente, pela força se necessário, insistindo que se trata de uma questão puramente "interna".

O Japão havia considerado uma cúpula entre Takaichi e o primeiro-ministro chinês Li Qiang na África do Sul, à margem da cúpula do G20 de dois dias que acontecia no sábado, mas o governo chinês afirmou que Li não tinha intenção de se encontrar com ela lá.

Mais tarde, na sexta-feira, Takaichi disse a repórteres antes de partir para a África do Sul que a promoção de relações estratégicas e mutuamente benéficas, conforme acordado com o presidente chinês Xi Jinping durante as conversas do mês passado na Coreia do Sul, permanecia "inalterada".

Takaichi também afirmou que o Japão tem sido "consistente" na forma como avalia uma situação que ameaça sua sobrevivência, enfatizando que o governo "avaliará de forma abrangente todas as informações, com base nas circunstâncias específicas e concretas que de fato surgirem".

Em meio à contínua troca de farpas entre os dois governos, eventos culturais, esportivos e musicais no Japão e na China também foram cancelados.

O consulado-geral da China em Nagoya cancelou um encontro social organizado em conjunto com associações de amizade bilaterais sediadas em seis prefeituras da região central do Japão, incluindo Aichi, devido à situação atual, segundo uma fonte próxima ao assunto.

O evento de dois dias estava programado para começar em 29 de novembro em Awara, na província de Fukui, com a presença do Cônsul Geral Yang Xian e aproximadamente 90 participantes, incluindo estudantes universitários japoneses que visitaram a China, de acordo com a fonte.

Entretanto, em Xangai, um campo de treinamento de beisebol com ex-jogadores profissionais japoneses, previsto para o final deste mês, foi adiado devido ao agravamento das relações bilaterais. Diversas apresentações musicais de artistas japoneses em novembro e dezembro também foram canceladas, alegando preocupações com a segurança e outros fatores.