O Japão está considerando introduzir drones de defesa fabricados na Ucrânia (fontes).
TÓQUIO — O governo japonês está considerando a introdução de drones de ataque fabricados na Ucrânia para reforçar suas capacidades de defesa, aproveitando a experiência de combate do país do Leste Europeu contra a agressão militar russa, disseram fontes familiarizadas com o assunto neste sábado.
A assinatura de um acordo bilateral de transferência de armas para proteger segredos é uma das opções para facilitar essa mudança, indicaram as fontes, com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky interessado em trocar a tecnologia de defesa de seu país por armas fornecidas pelo Japão, que restringe a transferência de armas sob sua Constituição de Renúncia à Guerra.
A ideia surgiu depois que a Ucrânia questionou o Japão sobre o assunto, disse uma fonte diplomática.
Embora a compra de drones de Israel também seja uma opção, o governo japonês aparentemente acredita que adquirir veículos aéreos não tripulados da Ucrânia seria menos controverso, em meio às críticas internacionais generalizadas às ações militares israelenses na Faixa de Gaza.
Os drones ucranianos são conhecidos por seu longo alcance e resistência a interferências.
"Embora o Japão tenha pouca experiência em drones, a Ucrânia aprimorou repetidamente os seus em um curto período de tempo, com base na experiência real em campo de batalha, tornando-os muito eficazes", disse uma fonte do Ministério da Defesa japonês.
Na proposta de orçamento para o ano fiscal de 2026, que começa em abril, o ministério destinou 277,3 bilhões de ienes (US$ 1,7 bilhão) para reforçar a defesa por meios não tripulados, incluindo o estabelecimento de uma "Defesa Costeira Sincronizada, Híbrida, Integrada e Aprimorada", ou SHIELD, para repelir ataques inimigos a ilhas remotas.
O plano inclui a aquisição em larga escala de drones, principalmente para ataque e vigilância.
Em entrevista à Kyodo News em fevereiro, Zelensky apresentou a expertise da Ucrânia na "produção em massa de drones baratos que destroem drones e mísseis grandes e caros".
Ele também afirmou que a defesa aérea era "crucial" para que seu país repelisse a invasão russa e expressou sua esperança de cooperação com o Japão na região, já que o país asiático – um aliado próximo dos Estados Unidos – produz mísseis interceptores terra-ar Patriot sob licença americana.
O governo japonês está prestes a flexibilizar suas regras sobre a transferência de equipamentos de defesa, possivelmente em abril, para permitir, em princípio, a exportação de armas letais.
Uma proposta dos partidos governistas, apresentada à primeira-ministra Sanae Takaichi no início deste mês, permitiu que a Ucrânia recebesse armas do Japão sob a condição de assinar um acordo de transferência de equipamentos de defesa e ser considerada merecedora de tratamento especial em função das necessidades de segurança nacional do Japão.

