O Japão está considerando liberar petróleo por mais 20 dias, já que a passagem pelo Estreito de Ormuz permanece incerta.

O Japão está considerando liberar petróleo por mais 20 dias, já que a passagem pelo Estreito de Ormuz permanece incerta.

TÓQUIO – O Japão está considerando liberar mais de suas reservas de petróleo, o que lhe permitiria suprir 20 dias de consumo interno em maio, visto que ainda existem incertezas sobre a segurança da passagem pelo Estreito de Ormuz, mesmo com o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, disse uma fonte próxima ao assunto nesta quinta-feira.

Os Estados Unidos e o Irã concordaram na terça-feira com um cessar-fogo condicional de duas semanas, pouco antes do prazo estabelecido pelo presidente americano Donald Trump para que Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz ou enfrentasse a destruição de sua infraestrutura crítica.

No entanto, permanece incerto se o estreito será reaberto ou se funcionará nas mesmas condições de antes da guerra, visto que Israel continua a atacar o grupo militante Hezbollah, ligado ao Irã, no Líbano.

O Ministério da Indústria está avaliando essa liberação adicional em vista das preocupações de que o fechamento efetivo do estreito possa continuar.

O governo iniciou, em meados de março, o maior descarregamento de estoques de petróleo da sua história para garantir um fornecimento estável de petróleo, após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, que deixaram a principal via navegável para o transporte de energia praticamente fechada.

O governo pretende abastecer o mercado com um total de cerca de 80 milhões de barris de petróleo, o equivalente a cerca de 50 dias de consumo, provenientes das reservas de petróleo detidas pelo Estado, pelo setor privado e pelos países produtores de petróleo do Golfo.

Do total, o petróleo em poder do Estado, suficiente para 30 dias, deverá ser liberado de 11 bases espalhadas pelo país até o final de abril.

O Japão, um país com poucos recursos naturais, depende da importação de quase todo o seu petróleo bruto, sendo que mais de 90% desse petróleo provém do Oriente Médio.

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, manifestou seu apoio a uma possível liberação conjunta de estoques adicionais de petróleo pelos 32 membros da Agência Internacional de Energia (AIE) durante sua reunião com o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, em Tóquio, no mês passado.

Os países da AIE também começaram a liberar suas reservas de petróleo em meados de março, totalizando mais de 400 milhões de barris, a primeira ação coordenada desse tipo desde 2022, quando a Rússia lançou sua invasão em grande escala da Ucrânia.