O Japão está considerando maneiras de garantir a segurança dos navios no Estreito de Ormuz (Primeiro-Ministro Takaichi)
TÓQUIO – A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou nesta segunda-feira que o Japão está avaliando o que pode fazer, dentro dos limites legais, para garantir a segurança dos navios japoneses e suas tripulações no Oriente Médio, no contexto da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
As declarações de Takaichi durante uma sessão parlamentar surgem após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter apelado, numa publicação nas redes sociais, para que outros países, incluindo o Japão, mobilizassem navios de guerra no Estreito de Ormuz para garantir a segurança dos carregamentos de petróleo.
Questionada por um parlamentar da oposição sobre se o Japão enviaria navios das Forças de Autodefesa, Takaichi respondeu que era difícil responder a uma pergunta hipotética, já que os Estados Unidos ainda não haviam feito tal solicitação, mas que seu governo estava considerando as "respostas necessárias".
Takaichi também afirmou que transmitirá a opinião do Japão sobre a situação no Oriente Médio a Trump na cúpula agendada para o final desta semana em Washington.
Durante a sessão, o Ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, afirmou que o governo não tinha intenção "neste momento" de enviar as Forças de Autodefesa do Japão para o Oriente Médio, região da qual o Japão depende para mais de 90% de seu petróleo bruto e 11% de seu gás natural liquefeito.
No sábado, Trump afirmou nas redes sociais que desejava que o Japão e outros países enviassem navios de guerra ao Estreito de Ormuz para garantir a segurança dessa rota vital de transporte de energia, que o Irã bloqueou na prática em resposta aos ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel no final do mês passado.
Em entrevista à NBC News, Trump disse que não estava claro se o Irã havia colocado minas no estreito, mas observou: "Vamos varrer o Estreito de Ormuz com muita força, e achamos que seremos acompanhados por outros países que estão de alguma forma impedidos de obter petróleo."
Embora as atividades das Forças de Autodefesa do Japão no exterior sejam limitadas pela renúncia à guerra prevista na Constituição japonesa, o governo pode ordenar que navios das Forças de Autodefesa acompanhem navios ligados ao Japão em operações de segurança marítima que permitam o uso de armas para fins defensivos.
O governo ampliou o papel das Forças Democráticas da Síria (SDF) no exterior por meio de legislação de segurança que entrou em vigor em 2016, mas o envio de pessoal para áreas onde possam se envolver em combates continua sendo controverso.
Entre os outros países que Trump designou diretamente como aqueles para os quais espera enviar navios de guerra ao Oriente Médio, o gabinete presidencial sul-coreano afirmou que Seul "manterá comunicação constante" com Washington e tomará uma decisão "após cuidadosa consideração".
A Austrália, que não foi mencionada por Trump, não planeja enviar navios de guerra, afirmou a ministra dos Transportes, Catherine King, em entrevista a uma emissora de televisão local.
"Não enviaremos nenhum navio para o Estreito de Ormuz. Sabemos da extrema importância disso, mas não é algo que nos pediram para fazer, nem algo para o qual estejamos contribuindo", disse o ministro.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, Koizumi e seu homólogo americano, Pete Hegseth, concordaram no domingo, durante conversas telefônicas, em manter uma comunicação estreita, anunciou o Ministério da Defesa japonês na segunda-feira.
Koizumi disse a Hegseth que era "extremamente importante" para o Japão e para a comunidade internacional manter a paz e a estabilidade no Oriente Médio, incluindo no Estreito de Ormuz, e que Tóquio se comunicaria com os países relevantes, incluindo os Estados Unidos, informou o ministério.
Hegseth afirmou que a situação no Oriente Médio não exigiria nenhuma mudança na postura das forças americanas no Japão, reiterando o compromisso dos EUA em fortalecer as capacidades de dissuasão e resposta da aliança bilateral, de acordo com o ministério.

