Japão sinaliza possível intervenção, enquanto preocupações orçamentárias impulsionam a venda do iene.
O Ministro das Finanças mencionou uma possível intervenção do governo e do Banco do Japão no mercado cambial para conter a queda do iene em relação ao dólar, um dia após a moeda japonesa ter atingido seu menor nível em 10 meses.
"Estamos profundamente preocupados com o fato de (a desvalorização do iene) ser extremamente unilateral e rápida", disse Satsuki Katayama em uma coletiva de imprensa após a reunião do Gabinete em 21 de novembro.
Questionado sobre intervenção monetária, Katayama respondeu: "Naturalmente, é algo que podemos considerar", alertando contra movimentos de mercado com uma linguagem mais firme do que antes.
O governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, que defende uma "política fiscal proativa e responsável", aprovou em 21 de novembro um conjunto abrangente de medidas econômicas totalizando 17,7 trilhões de ienes (US$ 112 bilhões) em gastos da conta geral.
Em meio a preocupações com a deterioração da saúde fiscal, o iene atingiu o limite superior de 157 ienes em relação ao dólar em determinado momento durante as negociações em Tóquio, em 20 de novembro, um nível não visto desde janeiro.
A moeda japonesa caiu mais de 10 ienes em relação ao dólar americano em comparação com a noite de 3 de outubro, um dia antes de Takaichi ser eleito presidente do Partido Liberal Democrático.
Em relação ao euro, o iene caiu para o limite superior de 181 ienes em 20 de novembro, uma mínima histórica.
Na manhã de 21 de novembro, o iene estava cotado a cerca de 157 ienes em Tóquio.
"É importante que as taxas de câmbio se movam de forma estável, refletindo os fundamentos econômicos", disse Katayama na coletiva de imprensa.
Ela acrescentou: "Em relação à volatilidade excessiva e aos movimentos desordenados no mercado cambial, incluindo desenvolvimentos especulativos, tomaremos as medidas apropriadas, se necessário, com base nos princípios estabelecidos na declaração conjunta emitida pelos ministros das finanças do Japão e dos Estados Unidos em setembro."
As preocupações com a deterioração das finanças públicas também desencadearam uma venda maciça de títulos do governo japonês em Tóquio, em 20 de novembro, levando a um aumento acentuado dos rendimentos.
O rendimento dos títulos do governo japonês recém-emitidos com vencimento em 10 anos, uma referência para as taxas de juros de longo prazo, chegou a atingir 1,835% em determinado momento, o nível mais alto desde junho de 2008.
Takaichi, que se apresenta como a herdeira política do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, prometeu dar continuidade à sua política econômica "Abenomics", centrada em gastos governamentais agressivos e afrouxamento monetário.
As taxas de juros não subiram imediatamente após sua posse como presidente do PLD, em parte porque o ex-ministro das Finanças, Taro Aso, foi nomeado vice-presidente e o Nippon Ishin (Partido da Inovação do Japão), parceiro de coalizão do PLD, era visto como uma força moderadora.
Mas as preocupações com a deterioração das finanças públicas intensificaram-se nos mercados financeiros quando surgiram planos massivos de estímulo econômico.
Em 19 de novembro, Katayama afirmou que "nenhuma discussão concreta havia ocorrido" sobre movimentos monetários durante uma reunião com Kazuo Ueda, governador do Banco do Japão.
Suas declarações atenuaram a desconfiança do mercado em relação às intervenções monetárias e contribuíram para uma nova desvalorização do iene em 20 de novembro.
Em uma coletiva de imprensa realizada em 20 de novembro, o Secretário-Chefe do Gabinete, Minoru Kihara, afirmou: "Estamos preocupados porque estamos observando movimentos cambiais unilaterais e rápidos. Estamos monitorando a volatilidade excessiva e os movimentos desordenados com grande atenção."
Ayako Sera, do Sumitomo Mitsui Trust Bank, afirmou que uma "tendência de venda" estava surgindo no mercado cambial.
“O governo deve demonstrar seu compromisso com a disciplina fiscal, inclusive com números concretos”, disse Sera. “É crucial mostrar a parte ‘responsável’ da ‘política fiscal proativa e responsável’ de Takaichi.”
(Este artigo foi compilado a partir de reportagens de Takao Shinkai e Chihaya Inagaki.)

