O chefe da filial japonesa da Igreja da Unificação renuncia e pede desculpas.

O chefe da filial japonesa da Igreja da Unificação renuncia e pede desculpas.

TÓQUIO – O chefe da filial japonesa da Igreja da Unificação, Tomihiro Tanaka, anunciou na terça-feira sua renúncia, com efeito imediato, e pediu desculpas por sua prática de solicitar doações em larga escala.

Em uma coletiva de imprensa na sede do grupo em Tóquio, Tanaka disse que decidiu renunciar depois que a Igreja estabeleceu um comitê independente em outubro para lidar com as reivindicações de indenização apresentadas pelas vítimas das práticas agressivas de arrecadação de fundos da Igreja.

A renúncia de Tanaka ocorre após o Tribunal Superior de Tóquio ter concluído, no mês passado, as audiências sobre um pedido de dissolução contra a organização.

Suas práticas de doação foram reveladas após o assassinato do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe em julho de 2022 por Tetsuya Yamagami, cuja mãe havia feito enormes doações à igreja.

O grupo solicitou doações de mais de 1.500 pessoas desde cerca de 1980, totalizando aproximadamente 20,4 bilhões de ienes (US$ 130 milhões).

Tanaka, originário da província mais ao norte de Hokkaido, ocupava o cargo de presidente do grupo desde outubro de 2020.

Masaichi Hori, ex-vice-presidente e "discípulo de segunda geração", ou seja, filho de membros da Igreja da Unificação, foi nomeado sucessor de Tanaka.

A Igreja da Unificação foi fundada por um fervoroso anticomunista na Coreia do Sul em 1954 e obteve o status de sociedade religiosa no Japão em 1964.

Segundo fontes da investigação, Yamagami alegou ter escolhido Abe como alvo porque o avô de Abe, Nobusuke Kishi, que também foi primeiro-ministro, ajudou a introduzir a Igreja da Unificação no Japão.