O ex-presidente da editora japonesa Kadokawa foi considerado culpado de corrupção nos Jogos Olímpicos.
TÓQUIO — Um tribunal de Tóquio condenou, na quinta-feira, o ex-presidente da grande editora Kadokawa Corp. a uma pena de prisão suspensa por subornar um funcionário do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio para garantir que a empresa fosse escolhida como patrocinadora dos Jogos de 2021.
Ao sentenciar Tsuguhiko Kadokawa, de 82 anos, a dois anos e meio de prisão, com quatro anos de pena suspensa, o juiz presidente do Tribunal Distrital de Tóquio, Yoshihisa Nakao, afirmou que a corrupção "manchou a história do maior festival esportivo do mundo".
Kadokawa, que mantém sua inocência desde a prisão, pretende recorrer da decisão, disse seu advogado.
Quinze pessoas foram indiciadas depois que cinco empresas japonesas, incluindo a varejista de ternos Aoki Holdings Inc., foram acusadas de repassar dinheiro para Haruyuki Takahashi, ex-membro do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Takahashi era uma figura influente que tomava decisões importantes sobre patrocínios e contratos de marketing olímpicos.
Com a sentença mais recente, 12 pessoas acusadas de pagar subornos a Takahashi, incluindo ex-subordinados da Kadokawa, foram consideradas culpadas pelo tribunal distrital.
Nakao afirmou que as declarações dos ex-subordinados sobre o caso eram credíveis, pois eles não tinham nenhum motivo aparente para fornecer explicações falsas.
O tribunal concluiu que a Kadokawa aprovou o suborno de Takahashi para melhorar a imagem da marca da empresa por meio dos Jogos Olímpicos, disse o juiz.
De acordo com a sentença, a Kadokawa conspirou com dois ex-subordinados para pagar a Takahashi um total de aproximadamente 69 milhões de ienes (US$ 436.000) entre setembro de 2019 e janeiro de 2021 em troca de tratamento preferencial, incluindo o patrocínio do evento global.
Os promotores haviam pedido uma pena de prisão de três anos, argumentando que Kadokawa, que na época era presidente da empresa, estava diretamente envolvido na aprovação dos pagamentos em dinheiro.
Ele afirmou que nunca havia sido consultado sobre o assunto e que não tinha autoridade para aprová-lo, mesmo que tivesse conhecimento dele.
Em abril de 2019, a editora foi nomeada "apoiadora oficial" dos jogos na categoria de patrocínio para serviços de publicação de livros e revistas.

