O número de acidentes de trabalho e mortes de estrangeiros no Japão ultrapassa 6.000 pela primeira vez.

O número de acidentes de trabalho e mortes de estrangeiros no Japão ultrapassa 6.000 pela primeira vez.

TÓQUIO – O número de trabalhadores estrangeiros feridos ou mortos em acidentes de trabalho no Japão ultrapassou 6.000 em 2024 pela primeira vez, segundo dados do governo, à medida que o país, com sua população envelhecida, recorre cada vez mais a estrangeiros para suprir a escassez de mão de obra.

Esse número vem aumentando a cada ano desde 2019, quando o Ministério da Saúde, Trabalho e Proteção Social adotou seu método de contagem atual. Naquela época, o número era pouco inferior a 4.000.

"Acredita-se que o treinamento inadequado em segurança e as falhas de comunicação sejam a causa dessa tendência crescente", disse um funcionário do ministério.

Segundo o ministério, dos aproximadamente 2,3 milhões de trabalhadores estrangeiros no Japão em 2024, um total de 6.244 sofreram ferimentos graves, necessitando de quatro dias ou mais de licença médica, ou faleceram. O número de mortes também atingiu um recorde de 39.

Em termos de situação de residência, os residentes de longa duração, os residentes permanentes e os cônjuges de cidadãos japoneses lideram a lista com 2.283, seguidos pelos trabalhadores do Programa de Estágio Técnico do Japão com 1.874 e pelos chamados trabalhadores qualificados com 810.

O programa japonês de formação técnica está em vigor desde 1993 para aprimorar as habilidades técnicas de trabalhadores estrangeiros de países em desenvolvimento. O programa tem sido criticado por ser, principalmente, um mecanismo para importar mão de obra barata.

O programa de Trabalhadores Qualificados Específicos, por sua vez, foi lançado em 2019 para trazer estrangeiros que já possuem as habilidades necessárias para começar a trabalhar imediatamente, sem necessidade de treinamento, no Japão.

A maioria dos acidentes e mortes relacionados ao trabalho ocorreu no setor industrial, com 2.979 casos, seguido pelo setor da construção civil, com 1.165.

Por tipo de incidente, o maior grupo (1.441) envolveu trabalhadores presos entre ou dentro de máquinas, seguido por quedas (797).

A taxa de acidentes de trabalho por 1.000 trabalhadores, incluindo cidadãos japoneses, foi de 2,35, mas subiu para 2,71 quando considerada apenas a taxa entre trabalhadores estrangeiros. A taxa foi particularmente alta entre aprendizes técnicos (3,98) e trabalhadores com habilidades específicas (3,91).

Os vietnamitas representam o maior número de incidentes, com 1.594, seguidos pelos filipinos, com 878, indonésios, com 757, e brasileiros, com 673.

O Ministério do Trabalho pretende reduzir a taxa de acidentes por 1.000 trabalhadores estrangeiros para um valor inferior à média nacional e garantir que, pelo menos, metade dos locais de trabalho ofereça formação em prevenção de acidentes e recursos traduzidos até 2027.

Yoshihisa Saito, professor associado da Universidade de Kobe especializado em legislação trabalhista para estrangeiros, alertou para os crescentes riscos de acidentes de trabalho envolvendo estrangeiros, visto que estagiários técnicos e trabalhadores qualificados são frequentemente empregados em funções consideradas perigosas.

"Acho que a realidade é que eles são aceitos com um domínio limitado da língua japonesa", disse ele.

Muitos podem nem sequer conseguir reivindicar indenização por acidentes de trabalho sem ajuda, devido à aparente dificuldade em compreender a legislação trabalhista, afirmou ele, apelando para que sejam tomadas medidas para garantir que os trabalhadores consigam empregos onde a formação em segurança seja devidamente disponibilizada.