Os salários reais no Japão aumentaram 1,0%, registrando o terceiro mês consecutivo de crescimento graças aos esforços das empresas.
TÓQUIO – Os salários reais no Japão subiram 1,0% em março em comparação com o ano anterior, registrando o terceiro aumento mensal consecutivo. A alta reflete os fortes lucros corporativos e os esforços para oferecer salários competitivos a fim de reter talentos, apesar de uma desaceleração em relação ao mês anterior, segundo dados do governo divulgados nesta sexta-feira.
Os salários nominais, ou seja, a média salarial mensal em dinheiro por trabalhador, incluindo salário base e horas extras, aumentaram 2,7%, atingindo 317.254 ienes (US$ 2.000), registrando o 51º mês consecutivo de aumento, informou o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar.
Do total, os pagamentos programados, incluindo salário base e abonos de família, aumentaram 3,2%, para 271.313 ienes, registrando um aumento de 3,0% ou mais por três meses consecutivos pela primeira vez em 33 anos e cinco meses.
O índice utilizado nos dados mostra que os preços ao consumidor subiram 1,6%, ficando abaixo de 2% pelo terceiro mês consecutivo, impulsionados por subsídios governamentais para contas de serviços públicos e gás.
Mas, com o crescimento salarial desacelerando em relação aos 2,0% revisados para cima registrados em fevereiro, a atenção agora se volta para a questão de se o consumo pessoal, que representa mais da metade do produto interno bruto do Japão, aumentará no futuro.
Em um contexto de iene mais fraco, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã e a disparada dos preços do petróleo bruto devem acelerar a inflação, levando a custos de importação mais elevados. As empresas estão se esforçando para aumentar os preços de seus produtos e serviços para obter suprimentos fora do Oriente Médio.
"Não estamos vendo nenhum impacto significativo (da situação no Oriente Médio) no momento, mas continuaremos monitorando a situação de perto", disse um funcionário do ministério.
A crise no Oriente Médio, caso se prolongue, poderá também criar condições comerciais difíceis para as empresas, pondo à prova os seus acordos com os sindicatos, que visam propor aumentos salariais significativos durante as negociações salariais anuais para o ano fiscal que começa em abril.
Ao avaliar o momento ideal para aumentar sua taxa básica de juros a fim de alcançar uma inflação estável de 2%, o Banco do Japão também busca observar aumentos de preços sustentados pelo crescimento salarial e pela demanda interna.
O Banco do Japão (BoJ) manteve sua taxa básica de juros inalterada em sua última reunião, em abril, a fim de avaliar melhor o impacto do conflito no Oriente Médio, mas enfatizou a necessidade de prestar atenção especial ao risco de um "desvio significativo da inflação para cima", à medida que as empresas buscam salários e preços mais altos.

