Países decidem parar de usar mercúrio em amálgamas dentárias até 2034.
GENEBRA – Os países que discutem regulamentações mais rigorosas sobre o mercúrio decidiram, na sexta-feira, proibir o uso, a importação e a exportação de amálgamas dentárias que contenham mercúrio em todo o mundo até 2034.
A decisão foi tomada em uma reunião da Convenção de Minamata sobre Mercúrio, realizada em Genebra esta semana. O pacto recebeu o nome de uma cidade litorânea no sudoeste do Japão, onde muitas pessoas foram envenenadas por mercúrio na década de 1950.
O Japão, que na época pagou um enorme preço humano devido ao que chama de doença de Minamata, já reduziu o uso de amálgamas de mercúrio na última década, motivado por preocupações com a saúde pública.
"Este é um grande passo em frente para a convenção", disse o presidente chileno da conferência, Osvaldo Alvarez, ao anunciar o consenso entre os participantes.
Embora países como os Estados Unidos e muitos estados africanos tenham insistido em uma data de eliminação gradual antes de 2030, a resistência da Grã-Bretanha, da Índia e do Irã, entre outros, adiou essa data para 2034.
Os que defendem um prazo mais longo enfatizaram a necessidade de considerar o custo e a sustentabilidade de alternativas às amálgamas dentárias à base de mercúrio.
A União Europeia proibiu as obturações de mercúrio desde janeiro. No Japão, o seguro de saúde cobre alternativas sem mercúrio, como a liga de gálio, para restaurações dentárias.
Na última reunião, os delegados não conseguiram chegar a um acordo sobre a viabilidade econômica e técnica de alternativas sem mercúrio. Espera-se que essas discussões continuem nos próximos meses.
A Convenção de Minamata, adotada em 2013 em Kumamoto, capital da prefeitura de mesmo nome, tem como objetivo proteger a saúde humana e o meio ambiente das emissões e liberações industriais de mercúrio em todo o mundo. Os signatários do pacto se reúnem a cada dois anos.
Entretanto, dois alunos da Escola Secundária de Minamata participaram de um evento relacionado em Genebra no início desta semana para expressar suas preocupações sobre o uso global de mercúrio.
"Espero contribuir para a conscientização ambiental no futuro", disse Mio Iwasaka, de 16 anos, a outros estudantes internacionais, expressando ainda a esperança de que um encontro semelhante pudesse um dia ser realizado também em Minamata.
Na década de 1950, muitos moradores da cidade litorânea sofreram de um distúrbio neurológico causado por envenenamento por mercúrio após consumirem peixes contaminados por efluentes de uma fábrica de produtos químicos próxima.

