Estudo: A saliva do mosquito agrava infecções virais causadas por picadas.
Segundo um estudo, componentes da saliva do mosquito aumentam o poder infeccioso de vírus, incluindo dengue, febre Zika e encefalite japonesa, que esses insetos transmitem aos humanos.
Um grupo de pesquisadores da Universidade Juntendo, em Tóquio, e de outras instituições afirmou que suas descobertas representam um passo em direção ao desenvolvimento de medicamentos capazes de combater esses vírus.
Como reação de defesa do corpo humano, as células do sistema imunológico inato invadem a área da picada de mosquito que foi infiltrada por um dos muitos vírus transmitidos por mosquitos.
No entanto, algumas dessas células imunes inatas são permissivas a vírus.
A equipe de pesquisa examinou o funcionamento da saliva do mosquito, que havia atraído a atenção dos pesquisadores, mas ainda não era totalmente conhecido.
A equipe primeiro confirmou que as infecções progridem mais rapidamente ou que os sintomas são mais graves em camundongos inoculados com uma mistura de extratos de saliva de mosquito e vírus do que em camundongos inoculados apenas com vírus.
Os pesquisadores também combinaram vírus com diferentes compostos químicos e administraram as misturas a ratos para determinar quais dos diferentes receptores do corpo estão mais envolvidos no processo de detecção de substâncias estranhas.
A experiência tem demonstrado que a saliva do mosquito estimula fortemente um receptor chamado TLR2 (receptor tipo Toll 2).
Os cientistas também descobriram que a estimulação do TLR2 acaba por atrair neutrófilos, um tipo de célula imunológica, para o local da picada do mosquito. Os neutrófilos, então, ativam células da imunidade inata que permitem a disseminação do vírus.
“Os vírus se aproveitam de uma via de sinalização, originalmente projetada para eliminar patógenos, e a utilizam quando lhes convém para disseminar infecções”, disse Toru Okamoto, professor de virologia da Universidade Juntendo e membro sênior da equipe de pesquisa. “É uma estratégia muito inteligente.”
Okamoto afirmou, no entanto, que ainda não se sabe quais moléculas presentes na saliva do mosquito são os estimulantes diretos do TLR2.
Ele planeja abordar o assunto em estudos futuros.
Atualmente, não existe nenhum medicamento específico disponível contra vírus transmitidos por mosquitos, portanto, o tratamento concentra-se no alívio dos sintomas.
Os casos de dengue são particularmente disseminados. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 400 milhões de pessoas são infectadas com dengue a cada ano, e os sintomas aparecem em cerca de 100 milhões delas.
Okamoto afirmou que espera contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos com base nos resultados do estudo mais recente.
Os resultados da pesquisa foram publicados na Cell Reports, uma revista científica americana (https://doi.org/10.1016/j.celrep.2025.116210).

