Um segundo petroleiro japonês atravessa o Estreito de Ormuz.

Um segundo petroleiro japonês atravessa o Estreito de Ormuz.

TÓQUIO – Um navio-tanque da Eneos Holdings Inc. cruzou o Estreito de Ormuz e está a caminho do Japão, tornando-se o segundo navio-tanque com destino ao Japão a deixar o Golfo Pérsico desde a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, de acordo com a empresa e o governo japonês.

O presidente da Eneos, Tomohide Miyata, declarou em uma coletiva de imprensa sobre os resultados da empresa que o navio Eneos Endeavour, pertencente à Eneos Ocean Corp., deixou a importante hidrovia e retomou sua viagem de volta ao Japão.

O ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, disse a repórteres em uma coletiva de imprensa convocada às pressas: "Nenhum pedágio foi pago ao Irã pela passagem" do navio com quatro tripulantes japoneses a bordo.

Motegi afirmou que o governo japonês "solicitou diretamente ao Irã em todas as oportunidades" que permitisse a passagem, acrescentando que 39 navios ligados ao Japão permaneciam no Golfo Pérsico.

"Continuaremos a envidar todos os esforços diplomáticos e de coordenação para permitir que todos os navios, incluindo os ligados ao Japão, passem pelo estreito o mais rapidamente possível", afirmou.

Miyata, da Eneos, declarou: "Estamos muito satisfeitos que o navio tenha conseguido passar em segurança", recusando-se, porém, a divulgar o horário da passagem ou outros detalhes. Ele acrescentou que a chegada do petroleiro ao Japão está prevista entre o final de maio e o início de junho.

Segundo o site de rastreamento de navios Marine Traffic e outras fontes, o petroleiro de bandeira panamenha deixou os Emirados Árabes Unidos no final de fevereiro. Até recentemente, ele permanecia no Golfo Pérsico, com destino ao porto de Kiire, na província de Kagoshima.

No mês passado, um navio-tanque operado por uma subsidiária da empresa japonesa Idemitsu Kosan Co. cruzou o estreito, no primeiro caso desse tipo após os Estados Unidos e Israel lançarem ataques conjuntos contra o Irã em 28 de fevereiro.

O Japão depende fortemente do Oriente Médio para o fornecimento de petróleo bruto, a maior parte do qual passa pelo Estreito de Ormuz. O fechamento efetivo dessa via navegável crucial elevou os preços do petróleo bruto devido a problemas de abastecimento.

A Eneos afirmou no mesmo dia que espera que o lucro líquido para o ano fiscal de 2026, que termina em março do próximo ano, seja cerca de 1,6 vezes maior que o do ano anterior, atingindo 415 bilhões de ienes (US$ 2,7 bilhões), já que as tensões no Oriente Médio devem manter os preços do petróleo bruto elevados.

A empresa espera que seu lucro operacional aumente 30,7%, para 610 bilhões de ienes, com vendas de 12,85 bilhões de ienes, um aumento de 9,2%.

A Eneos afirmou que suas previsões se baseavam na premissa de que o impacto da situação no Oriente Médio sobre o fornecimento, a produção e as vendas de petróleo bruto se limitaria ao período até maio.

Ao mesmo tempo, a Eneos afirmou que a situação no Oriente Médio estava afetando suas compras de petróleo bruto e que estava cooperando com o governo para diversificar as fontes de importação, incluindo as dos Estados Unidos e da Ásia Central, e que estava considerando compras que evitassem o Estreito de Ormuz.