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Uma mulher japonesa está cada vez mais perto de realizar o sonho de jogar em uma liga profissional de beisebol.

Uma liga profissional de beisebol feminino será inaugurada nos Estados Unidos no próximo ano, pela primeira vez em 72 anos, trazendo esperança para jogadoras de todo o mundo, inclusive do Japão.

A Liga Profissional Feminina de Beisebol (WPBL) será composta por seis equipes. Quatro cidades americanas foram designadas para sediar os jogos.

No entanto, a liga está aberta a jogadores estrangeiros e espera-se que o draft inclua representantes de vários países.

Uma das japonesas que espera jogar na liga é Emi Saeki, de 24 anos, de Takamatsu.

"Chegou finalmente a hora de nos concentrarmos inteiramente no beisebol", disse ela.

Em novembro passado, Saeki ficou entusiasmada ao receber uma mensagem de uma amiga no Canadá anunciando que uma liga profissional de beisebol feminino começaria nos Estados Unidos em 2026.

Os Estados Unidos não têm uma liga profissional de beisebol feminino desde a All-American Girls Professional Baseball League (1943-1954). Essa liga inspirou o filme de 1992 "A League of Their Own".

O sonho de infância de Saeki era jogar em um campo de beisebol no cenário mundial.

Ela é a caçula de uma família de jogadores de beisebol. Seus pais e sua irmã mais velha praticavam o esporte, então era natural que Saeki pegasse um taco e uma luva.

Ela ingressou em uma equipe no distrito de Yashima, na província de Kagawa, quando estava no segundo ano do ensino médio.

Por meio de sua irmã, Saeki conheceu Ryota Yamamoto, um ex-jogador do time da liga independente Kagawa Olive Guyners.

Sob a tutela de Yamamoto, Saeki aprimorou suas habilidades.

No ensino médio, ela jogou no time local Kagawa Olive Girls JHC. Ela também era membro do time de futebol de borracha da escola, que incluía meninos.

ENFRENTANDO DIFICULDADES

No ensino fundamental, quando a diferença de altura e força muscular entre meninos e meninas aumentou, ela teve dificuldade em participar de jogos com bola de borracha.

Mas ela nunca desistiu.

"Pensei em como poderia contribuir para a equipe", lembrou ela. "Concentrei-me em manter o jogo fluindo, garantindo que nossa vez ao bastão não terminasse comigo", disse ela.

Ela se concentrou em se tornar uma rebatedora de contato, em vez de uma ameaça de bola longa. Ela também aprimorou suas habilidades com bolas curtas e era conhecida como uma "máquina de rebatidas" e uma "especialista em bolas na cavidade".

Com o desejo de jogar beisebol de verdade, ela se matriculou na Escola Secundária Kobe Koryo Gakuen, na província de Hyogo.

"Eu queria me testar em um ambiente diferente", ela relembra.

No outono do seu primeiro ano, ela já estava conquistando tempo de jogo e ajudando seu time a vencer o campeonato nacional de beisebol feminino do ensino médio.

Mas não era fácil para uma atleta feminina continuar jogando beisebol, dada a falta de oportunidades.

Após refletir sobre o que deveria fazer depois de se formar, ela decidiu aprender inglês em uma escola profissionalizante em Osaka, enquanto procurava maneiras de continuar jogando beisebol.

Após se formar, ela passou cerca de um ano no Canadá. Embora não esperasse jogar beisebol lá, levou sua preciosa luva e chuteiras por precaução.

Contrariando suas expectativas, sua ligação com o beisebol se aprofundou no exterior.

Ela conheceu jogadoras do BC Aces, o time de beisebol feminino da Colúmbia Britânica, e entrou para a equipe.

Ao retornar ao Japão em 2023, ela se juntou ao time feminino do Hanshin Tigers. Outros times profissionais de beisebol no Japão também começaram a criar equipes femininas, e o beisebol feminino ganhou impulso no país.

No entanto, Saeki afirmou: "Embora o número de equipes esteja aumentando, elas não são profissionais. Ainda precisamos ter outro emprego para ganhar a vida jogando."

A renda dos jogadores era limitada a uma porcentagem das vendas de produtos. Os jogadores não podiam viver exclusivamente do beisebol.

MAIS PERTO DO SONHO

O surgimento da WPBL pode mudar radicalmente o jogo.

Antecipando o início da liga, Saeki deixou os Tigers após a temporada de 2024. Em junho deste ano, ela retornou ao Canadá e se juntou ao BC Aces.

Dois meses depois, Saeki estava em campo no Nationals Park, em Washington, casa do Washington Nationals, time da liga principal de beisebol.

A fase final dos testes teve um formato de sete entradas. Embora alguns jogadores não tenham tido a oportunidade de jogar, Saeki atuou por três entradas como segunda base.

Ela passou no teste e foi incluída na lista de mais de 120 jogadoras elegíveis para o draft. Se for selecionada em 20 de novembro, realizará seu sonho de se tornar jogadora profissional de beisebol.

"Estou feliz por ter continuado jogando beisebol. Se você se esforçar, pode conhecer um mundo incrível. Quero ser uma ponte para outros jogadores que almejam chegar à liga profissional americana", disse ela.