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Erika Kanashiro, 41 anos, veio ao Japão quando sua filha mais velha completou 1 ano. Na época, Erika tinha 19 anos e sua família já morava aqui (o pai e a irmã, pois ela não tem contato com a mãe desde os 4 anos). Ela veio ao Japão para poder ter uma estabilidade financeira e assim criar sua filha sozinha. O plano era ficar alguns anos e retornar ao Brasil para reconstruir sua vida por lá. Porém, o tempo passou e quando percebeu sua filha já estava em idade escolar. Acabou optando por ficar aqui mesmo e hoje não tem intenção de ir embora mais. Erika teve mais 2 filhos no Japão, atualmente com 4 e 2 anos.

Erika sempre foi apaixonada pelo ramo de decoração de festas, e assim, se interessou por produtos personalizados, scrapbook e tudo que é ligado a papelaria e decoração. Ela nunca fez nenhum curso nessa área, porém, é autodidata e aprendeu tudo sobre papelaria e scrapbook sozinha. “Tudo que sei e aprendi foi através de muita pesquisa, muito estudo, horas sem dormir, erros e acertos. E mesmo após 5 anos, continuo estudando novas técnicas e novas tendências. Esse ramo muda a cada ano e temos que estar sempre antenada”, nos contou ela.

Erika começou a no ramo de decoração personalizada há 5 anos atrás. “No início foi muito difícil, pois muitos me desestimulavam, dizendo coisas como ‘é perca de tempo’, ‘isso não dá dinheiro’, ‘fábrica sim é dinheiro certo todo mês’ entre outros”, nos contou ela, afirmando que ainda hoje escuta coisas do tipo. “Mas sempre fui muito teimosa e essas coisas que falam só me dá mais forças para não desistir”.

Erika teve a ideia de abrir seu próprio negócio quando seu segundo filho nasceu. Ela queria passar mais tempo com ele e, como não tinha pretensão de voltar ao Brasil, resolveu investir no seu ateliê. Sua maior incentivadora é a filha mais velha, que sempre a apoiou nos seus projetos e foi ela quem deu de presente sua primeira máquina de corte. “No início, senti muita insegurança no meu trabalho pois o mercado nesse ramo tem se tornado cada vez maior. Mas mesmo assim, decidi que iria conquistar o meu espaço e graças a Deus estou alcançando meus objetivos”, nos disse. Outra dificuldade que ela superou foi de empreender em terras nipônicas: “quase tudo que aprendi era voltado para o mercado brasileiro. A primeira dificuldade foi de encontrar os materiais certos aqui no Japão. Além disso, material de artesanato é bem escasso e mais caro se comparado com o Brasil”. Hoje em dia, além do ateliê, Erika também faz alguns ‘arubaitos’ fora e nos conta: “tem dias muito estressantes, pois não é fácil dar conta de trabalhar fora, cuidar dos filhos e ainda cumprir prazos de entrega”. Nessas situações, Erika pede ajuda da filha mais velha para cuidar dos irmãos menores ou recorre a uma amiga que trabalha no mesmo ramo.

Apesar de toda essa correria, ela afirma que o que se faz com amor à profissão é válido. Tem seus altos e baixos como qualquer outro segmento, mas ela se sente muito grata em trabalhar com o que gosta. “É indescritível a sensação de ver uma peça finalizada, do jeito que o cliente idealizou. Saber que eu fiz parte daquele dia tão especial e ver uma peça minha exposta na festa é extremamente gratificante”.

Erika tem como projeto para 2020 aumentar o seu leque de produtos. Ela também está preparando alguns cursos para iniciantes em papelaria, scrapbook e planners para o segundo semestre deste ano.

Ela nos conta que o artesanato, não só no ramo do scrapbook mas no geral, é muito desvalorizado. As pessoas não veem como uma profissão, mas sim como um hobby. Ela explicou que antes da arte final da peça pronta para o cliente, existem várias etapas. Passa-se horas criando projetos e que, às vezes, não dão certo de primeira. Assim, é necessário criar tudo do zero novamente. E também ocorre do cliente não gostar da prova final e ter que fazer tudo de novo. Em cada artesanato envolve muito estudo, técnicas e cálculos. Com tudo isso, ela afirma “é sim uma profissão!”. “Infelizmente, muitas pessoas não dão o devido valor, acham o produto caro”, continuou ela. “Já ouvi absurdos do tipo ‘mas é só papel e é a máquina que corta’. Isso me deixa muito triste porque na maioria das vezes perco horas, até dias em algumas, só para montar uma arte”. E completa: “no meu ramo tem a palavra ‘personalizado’. Isso quer dizer que monto uma arte para cada cliente. Eu me dedico a montar a peça que ele idealizou, não é simplesmente colocar na máquina e cortar”.

Erika deixa sua mensagem final ao leitor: “nunca desista dos seus sonhos, por mais loucos que sejam, por mais difíceis, por mais que as pessoas ao redor te desanimem. Insista, persista, estude, se especialize, mantenha o foco e não desista nas primeiras tentativas. Abra a mente para novos conhecimentos”.

Confira os trabalhos da Erika:

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