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A migração é como um leito de rio: uma vez que se abre o canal, seja no fluxo ou no refluxo, em maior ou menor quantidade, o deslocamento continua, desde que não haja nenhum impedimento maior (como guerra ou epidemias, ou por questões religiosas, climáticas e/ou ainda por medidas políticas mais drásticas etc.)

Ainda que a crise de 2008 tenha afetado uma boa parte dos brasileiros, eles continuam presentes e estabelecidos na sociedade japonesa de alguma forma, até mesmo porque ela depende da mão de obra estrangeira, quer queira ou não queira, dada a sua baixa natalidade e alta longevidade, só para citar um exemplo básico, que é o aspecto demográfico.

Além disso, vale observar que a noção do tempo e espaço mudou muito em menos de um século. E, junto com o desenvolvimento da tecnologia de comunicação, de informação e de transporte, promovem uma outra vivência e forma de se relacionar com os seus familiares e amigos distantes, por exemplo.

Se há duas décadas era comum os brasileiros gastarem boa parte de suas economias em ligações internacionais, hoje, na palma da sua mão, por meio de celular, é possível conectar virtual e instantaneamente com seus conhecidos, influenciando, em parte, a sociabilidade e a forma de “estar no mundo”. E isso, em parte, deve implicar numa percepção e vivência muito diferente do que é ser migrante.

Próximos 25 anos
É difícil de dizer qualquer coisa sobre o futuro. Mas se me permite imaginar, no sentido amplo, vejo pelo menos dois movimentos: um, numa perspectiva mais otimista, é a tendência de as pessoas se tornarem cada vez mais cidadãos do mundo. Embora é verdade que nem todos que estão se deslocando no contexto internacional implique necessariamente que estejam se tornando cosmopolitas. Mas, mesmo assim, a experiência, por si só, pode trazer novas perspectivas e percepções.

O outro, por sua vez, numa perspectiva mais pessimista, talvez, um país como o Japão tenta manter aquilo que eles supõem que seja identidade nacional japonesa – algo que carece de consenso. Isso pode fazer com que a torneira para que a entrada e a saída de estrangeiros seja controlada por uma minoria que detêm o poder de decisão política no país.

Mas uma coisa é certa, como já foi dito: eles precisam de mão de obra estrangeira para que a sua economia continue funcionando. Assim, a sociedade japonesa tem um grande desafio pela frente, de como lidar com os estrangeiros que estão permanecendo cada vez mais no país. E isso não é um problema tão somente do Japão. Hoje temos novos cenários migratórios que têm desafiado muito a noção de estado-nação, trazendo à tona questões coloniais que estão longe de serem resolvidas pelo mundo afora.

Brasileiros natos
Não sei se encontraremos brasileiros natos no Japão daqui a duas ou três décadas. A percepção de quem é o brasileiro nato ou não, havendo ou não casamentos mistos (de japoneses/as com não japoneses/as) pode depender também das políticas públicas adotadas no Japão. Isto é, depende de como o multiculturalismo será assimilada na sociedade japonesa. Mas isso implica em muitas questões – sociais, políticas, étnicas, culturais etc. – que não são tão simples de se resolver.

Texto: Elisa Massae Sasaki

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