Início International Press 25 anos A visão de um pioneiro da comunicação étnica

A visão de um pioneiro da comunicação étnica

374
Curtir e Compartilhar:

Yoshio Muranaga passou parte de sua juventude na província de Tokushima, ilha de Shikoku. Em 1957, ele abandonou o primeiro ano do colégio japonês e emigrou para o Brasil em companhia dos pais e irmãos. Estabeleceram-se na Colônia Gama, no Pará, para a prática da agricultura. Mas, diante de terras completamente impróprias para o cultivo, seu pai resolveu mandá-lo, depois de um ano, de mala e cuia a Belém (Pará) para que tentasse sorte melhor. Lá, trabalhou, estudou a língua portuguesa e em 1963, iniciou sua carreira como empresário na mesma cidade, vendendo sorvete. Com o sucesso dos negócios, dedicou-se a atividades como exportação da pimenta do reino, venda de maquinários agrícolas e administração hoteleira.

Para Muranaga, existem dois tipos de empresários. Aqueles que fazem a administração de um negócio já consolidado e os que iniciam novos negócios. Ele se coloca no segundo grupo e preza o ineditismo na hora de iniciar um empreendimento. Mas quando veio para cá em 1989 com dois contêineres cheios de palmito com o propósito de abastecer o mercado japonês, não podia imaginar que isso o levaria a criar um jornal escrito em português na terra do sol nascente. Atualmente, os negócios da família no Japão são administrados pelo segundo filho de Yoshio, Arthur Muranaga, presidente da IPC World.

Na entrevista a seguir concedida a Edson Urano, antigo colaborador do jornal, o fundador do International Press conta um pouco sobre a sua criação.

O que o trouxe de volta ao Japão?
Em 1989, vim com dois contêineres de palmito para o mercado japonês, mas não obtive receptividade. Então abasteci a comunidade brasileira que começava a se formar. Ao conversar com os brasileiros, eles me contaram que sentiam no Japão a falta de informação do Brasil. Tive a mesma experiência como filho de imigrantes e resolvi então criar o jornal com dinheiro do meu próprio bolso.

Poderia falar um pouco sobre este começo?
Eu havia trazido capital para investir em negócio de importação e exportação. Não pensei em lucro ao criar um jornal étnico. Normalmente, os jornais étnicos são semanais, feitos de forma caseira por duas ou três pessoas. No Japão, é fato que não dão lucro.
Iniciamos com seis pessoas. À medida que prosseguimos os trabalhos, recebemos muitas cartas de agradecimento. Em toda minha vida, jamais havia recebido tantas manifestações de gratidão pelo meu trabalho. Foi muito gratificante. Passei a me esforçar ainda mais. Importei equipamentos modernos da Alemanha, os primeiros do gênero no Japão.

Qual foi a maior dificuldade na criação do jornal?
Erramos na escolha das máquinas. Utilizávamos o Oasys, da Fujitsu, que era apropriado para fazer jornal em japonês, mas inadequado para nosso caso, um jornal em português. O sistema reconhecia o til e a cedilha como figuras, e não caracteres, e o texto ficava completamente embaralhado. Passamos trabalhando até altas horas de madrugada e nos fins de semana para superar o problema e lançar o primeiro número. Quando elaborávamos o segundo número, cheguei à conclusão que isso ia nos matar. Eu acompanhava o trabalho da Redação à noite e de dia andava para fazer a rede de distribuição. A partir do terceiro número a coisa começou a andar, porque importamos  10 milhões de ienes em equipamentos da Alemanha e trouxemos softwares do Brasil. Aí as coisas começaram a funcionar.

A história do International Press é um pouco a história da própria comunidade…
Quanto lancei o jornal, não havia nada para a comunidade, mesmo em termos de comércio. Nos descansos, nos feriados, as pessoas ficavam em suas casas, não saíam para passear porque não dominavam a língua. Nessa época, organizei eventos esportivos e shows de samba para a comunidade também em Atsugi (província de Kanagawa), onde antes fucionava a Redação do jornal.

Curtir e Compartilhar: