Ex-governador de Fukui enviou 1.000 mensagens de texto com conteúdo de assédio sexual para funcionários: investigação especializada
FUKUI, Japão – Tatsuji Sugimoto, que renunciou no mês passado ao cargo de governador da província de Fukui, no centro do Japão, devido a assédio sexual, enviou cerca de mil mensagens de texto de assédio a funcionários, segundo um relatório investigativo elaborado por advogados e divulgado na quarta-feira.
Entre as mensagens, havia aquelas em que Sugimoto buscava relações sexuais com várias funcionárias e fazia comentários sobre a aparência física delas. Ele também teria tocado o corpo de funcionárias em diversas ocasiões, segundo o relatório baseado em uma pesquisa com aproximadamente 6.000 funcionários.
"O sentimento de vitimização foi extremamente grave", afirma o relatório, descrevendo sua responsabilidade como "séria". Declarou ainda que suas ações poderiam ter violado leis contra o assédio ou constituído o crime de atentado ao pudor não consensual.
Kenji Kawai, um dos três advogados nomeados pelo governo da província de Fukui para investigar o caso, disse em uma coletiva de imprensa que Sugimoto vinha praticando atos de assédio há cerca de 20 anos, mesmo antes de ser eleito governador de Fukui pela primeira vez em 2019.
Após ingressar em uma das instituições predecessoras do Ministério de Assuntos Internos e Comunicações, Sugimoto ocupou intermitentemente cargos em Fukui, como chefe do Departamento de Assuntos Gerais do Governo da Prefeitura de Fukui em 2004 e vice-governador em 2013.
Sugimoto, de 63 anos, enviou mensagens de texto sexualmente explícitas, como "Quero te beijar" e "Tenho um desejo irresistível de te abraçar", para pelo menos quatro funcionárias. Ele as advertiu para não revelarem as mensagens a ninguém, dizendo: "Mantenham isso em absoluto segredo e levem para o túmulo".
Segundo o relatório, Sugimoto enviou as mensagens de texto usando o aplicativo Line e seu endereço de e-mail pessoal.
A investigação também confirmou atos de assédio em eventos sociais. Segundo o relatório, Sugimoto colocou a mão por baixo da saia de uma funcionária e tocou em suas nádegas, além de ter se sentado ao lado de outra funcionária em um sofá de dois lugares e tocado em sua coxa.
Durante as audiências, Sugimoto admitiu ter enviado essas mensagens, explicando que tinha "afeto" pelos destinatários e que "estava bêbado e havia se tornado descuidado", disse a equipe.
Mas, embora tenha pedido desculpas às vítimas, ele negou as alegações de ter cometido erros, afirmando que não tinha "absolutamente nenhuma lembrança" de tais incidentes, de acordo com o relatório.
Após a divulgação do relatório, Sugimoto declarou em um comunicado à imprensa: "Respeito as conclusões e a avaliação", acrescentando que ofereceu suas "mais sinceras desculpas" às vítimas. Ele disse que responderia à pergunta por escrito, mas que não pretendia conceder uma coletiva de imprensa, alegando a necessidade de proteger as vítimas.
Sugimoto, que estava cumprindo seu segundo mandato, renunciou em dezembro, mas não revelou o conteúdo das mensagens na ocasião, afirmando que uma investigação estava em andamento.
O problema veio à tona depois que uma vítima alertou um serviço externo de aconselhamento em abril do ano passado. Os advogados iniciaram a investigação em setembro, entrevistando todos os cerca de 6.000 funcionários da prefeitura.
Os advogados entraram em contato direto com 14 das pessoas entrevistadas e obtiveram a cooperação de quatro delas, incluindo o denunciante, principalmente por meio da apresentação de documentos que corroboravam suas alegações.
O relatório também destaca respostas inadequadas ao denunciante por parte de funcionários em cargos de chefia, afirmando que eles não levaram o problema a sério o suficiente quando foram alertados.

