No Japão, a diversidade é uma questão econômica, não um tema de debate moral.
TÓQUIO – Ao longo do último ano e meio, o Japão realizou três eleições nacionais e, após cada resultado, uma análise pós-eleitoral familiar circulou entre liberais e conservadores que perderam seus assentos: “Perdemos porque enfatizamos a importância da diversidade” e “Deveríamos ter priorizado questões econômicas diretamente relacionadas à vida das pessoas”.
Para a autora, que trabalha para eliminar a discriminação com base na diversidade sexual e de gênero e para garantir a proteção legal dos direitos das minorias sexuais e de gênero, tais alegações parecem profundamente falhas. Mais do que o desempenho eleitoral de qualquer partido em particular, é profundamente alarmante ver a concepção errônea arraigada que leva os políticos a separarem "diversidade" da "economia e da vida cotidiana" como se fossem forças opostas.
Considerar essas questões como "em conflito" é uma interpretação errônea da realidade. As proteções de direitos buscadas pelo autor e outros estão entre as questões econômicas mais prementes, afetando diretamente necessidades básicas como moradia, trabalho e dinheiro.
A habitação é um exemplo. Ainda hoje, existem casos em que os proprietários se recusam a alugar para casais do mesmo sexo, e foi relatado nos últimos anos que agentes imobiliários declararam abertamente que "LGBT não são permitidos" em seus sistemas internos e documentos de propriedade.
Como a habitação é o alicerce mínimo para uma vida digna, a exclusão baseada em características pessoais nada mais é do que uma grave perda econômica e social que ameaça o direito à vida.
As deficiências da previdência social também impactam diretamente as finanças das famílias. Em um caso relatado, um beneficiário do seguro saúde nacional viu seus prêmios aumentarem após começar a viver com um parceiro do mesmo sexo coberto pelo seguro saúde oferecido pelo empregador, porque suas rendas foram combinadas para fins de avaliação familiar.
Numa união estável heterossexual reconhecida, um dos parceiros pode ser considerado dependente, mas o mesmo não acontece numa relação homoafetiva. Embora funcionem como uma família, os casais do mesmo sexo são excluídos das proteções legais, enquanto o seu fardo financeiro aumenta — uma irracionalidade que permanece sem solução.
A discriminação na contratação e o assédio no local de trabalho também são problemas graves. Os serviços de aconselhamento recebem inúmeros casos de pessoas que se demitiram após sofrerem um declínio na saúde devido a comentários discriminatórios, passando por dificuldades financeiras e, por fim, perdendo a moradia. Esses problemas não são simplesmente uma questão de atitudes individuais, mas sim um claro "risco de pobreza" produzido por estruturas sociais falhas.
No entanto, o respeito pela diversidade nas escolas e nos locais de trabalho é frequentemente reduzido a uma questão de mentalidade, como "tratar as pessoas com compaixão" ou "ter cuidado para não magoar os outros".
Uma análise superficial não resolverá o problema, dadas as duras realidades da vida. O que se faz necessário são normas e padrões legais que rejeitem claramente a discriminação, bem como a capacidade profissional para avaliar cuidadosamente as complexas circunstâncias individuais e fornecer respostas eficazes.
Durante as eleições, a diversidade raramente é abordada como uma "questão de subsistência". No entanto, nas redes sociais e em outros meios, circulam afirmações infundadas de que "só falamos de diversidade".
Um fator pode ser uma crescente tendência social – amplificada nos últimos anos pelas redes sociais – de ignorar os fatos e resolver debates unicamente com base em impressões intuitivas.
É essencial abordar problemas complexos com base em fatos e trabalhar persistentemente para encontrar soluções em todas as áreas políticas. Gostaria de enfatizar que as políticas de diversidade não são meros ideais abstratos, mas questões intensamente práticas que sustentam a sobrevivência das pessoas.
(Yuichi Kamiya, nascido em 1985, é o diretor representante da Aliança Japonesa para a Legislação LGBT desde junho de 2025. Ele concluiu um mestrado na Escola de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Hitotsubashi e também é membro associado nomeado do Conselho de Ciência do Japão.)

