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Em meio à disputa com a China, o Japão se mostra cauteloso em relação à posição de Trump.

O presidente dos EUA, Donald Trump, não demonstrou preocupação com a disputa em curso entre o Japão e a China durante um telefonema com a primeira-ministra Sanae Takaichi em 25 de novembro, disseram fontes.

Embora as autoridades japonesas esperem o apoio dos EUA diante das reações negativas da China às declarações de Takaichi sobre Taiwan, as palavras e ações de Trump, na verdade, aumentaram a ansiedade no Japão.

Durante essa ligação, Trump informou Takaichi sobre o conteúdo de sua conversa telefônica com o presidente chinês Xi Jinping no dia anterior.

Segundo fontes do governo japonês, o presidente dos EUA compartilhou com Takaichi o conteúdo de suas conversas com Xi sobre Taiwan.

Um alto funcionário do gabinete do primeiro-ministro descreveu a questão de Taiwan como "um dos muitos tópicos discutidos".

Após a ligação, Takaichi disse aos repórteres: "Após a visita do presidente Trump ao Japão (em outubro), pudemos reafirmar a estreita coordenação entre o Japão e os Estados Unidos."

Mas ela se recusou a descrever o conteúdo da conversa com Trump.

"Como se trata de uma troca diplomática, prefiro não entrar em detalhes", disse ela.

Esta foi a primeira vez que Trump falou separadamente com Xi e Takaichi desde que o líder japonês disse ao Parlamento, em 7 de novembro, que o Japão poderia usar a força em caso de emergência em Taiwan.

Um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores declarou: "Os laços estabelecidos durante a visita de Trump ao Japão levaram a esta ligação telefônica."

Mas existe uma sensação de inquietação no Japão sobre como Trump responderá às declarações de Takaichi. A maior preocupação reside na incerteza em torno da posição de Trump sobre Taiwan e questões relacionadas.

Trump, enquanto chefe do governo dos EUA, não expressou publicamente seu apoio a Takaichi no contexto do confronto sino-japonês.

"Trump está adotando uma postura cautelosa em relação à questão de Taiwan", disse um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores.

Durante a ligação telefônica de 24 de novembro, Xi reiterou a Trump que a China não faria concessões em relação a Taiwan, afirmou o governo chinês.

"A devolução de Taiwan à China é um elemento importante da ordem internacional pós-guerra", disse Xi a Trump, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China.

Trump respondeu que os Estados Unidos entendiam a importância da questão de Taiwan para a China, disse o governo.

Após as conversas com Xi, Trump escreveu nas redes sociais: "Nossa relação com a China é extremamente forte!"

Ele não fez qualquer menção a Taiwan em sua mensagem.

Após seu encontro com Xi em 1º de novembro, Trump descreveu a relação entre os Estados Unidos e a China como "G-2", abreviação de "Grupo de Dois".

Do ponto de vista do Japão, isso poderia ser interpretado como os Estados Unidos e a China dividindo o Oceano Pacífico entre leste e oeste e reconhecendo mutuamente suas esferas de influência, um conceito que seria totalmente inaceitável.

Um alto funcionário do Departamento de Estado afirmou: "(O conceito do G-2) não é algo que Trump considere uma estratégia."

Contudo, persiste uma profunda desconfiança dentro do governo japonês quanto à possibilidade de os Estados Unidos se aproximarem da China e tomarem decisões com Pequim em vez de com o Japão, seu aliado.