Pelo menos 35 pessoas foram mortas e 1.200 foram detidas durante protestos econômicos no Irã.

Pelo menos 35 pessoas foram mortas e 1.200 foram detidas durante protestos econômicos no Irã.

DUBAI, Emirados Árabes Unidos (AP) — O número de mortos em decorrência da violência relacionada aos protestos no Irã subiu para pelo menos 35, disseram ativistas nesta terça-feira, enquanto as manifestações não mostram sinais de arrefecimento.

Este número vem da agência de notícias americana Human Rights Activists News Agency, que indica que mais de 1.200 pessoas foram presas durante os protestos, que já duram mais de uma semana.

Segundo o comunicado, 29 manifestantes, quatro crianças e dois membros das forças de segurança iranianas foram mortos. Os protestos atingiram mais de 250 locais em 27 das 31 províncias do Irã.

O grupo, que se baseia em uma rede de ativistas no Irã para suas reportagens, provou ser preciso durante conflitos anteriores.

Manifestantes marcham em uma ponte em Teerã, Irã, em 29 de dezembro de 2025. (Agência de notícias Fars via AP, Arquivo)

A agência de notícias semioficial Fars, considerada próxima à Guarda Revolucionária paramilitar do Irã, informou na noite de segunda-feira que cerca de 250 policiais e 45 membros das forças Basij, compostas exclusivamente por voluntários, ficaram feridos durante as manifestações.

O crescente número de mortos aumenta a possibilidade de intervenção dos EUA. O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou o Irã na sexta-feira que, se Teerã "matar violentamente manifestantes pacíficos", os Estados Unidos "irão em seu auxílio".

Embora ainda não esteja claro exatamente como ou se Trump irá intervir, seus comentários provocaram imediatamente uma reação de fúria, com autoridades da teocracia ameaçando atacar as tropas americanas no Oriente Médio. Esses comentários ganharam novo significado após a captura, no sábado, do presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de longa data de Teerã, pelas forças armadas americanas.

Esses protestos se tornaram os maiores no Irã desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia policial, desencadeou manifestações em todo o país. No entanto, os protestos ainda não foram tão amplos e intensos quanto os que se seguiram à morte de Amini, que foi presa por não usar o hijab, ou véu islâmico, conforme exigido pelas autoridades.

O Irã enfrentou uma série de protestos em todo o país nos últimos anos. Com o endurecimento das sanções e as dificuldades enfrentadas pelo país após a guerra de 12 dias com Israel, sua moeda, o rial, despencou em dezembro, chegando a 1,4 milhão por dólar. Os protestos começaram logo em seguida.

Tem sido difícil compreender a dimensão desta última onda de protestos. A mídia estatal iraniana tem fornecido poucas informações sobre as manifestações. Os vídeos online oferecem apenas breves e tremidos vislumbres de pessoas nas ruas ou o som de tiros. No Irã, os jornalistas também enfrentam restrições à sua atuação em geral, como a necessidade de obter permissão para viajar por todo o país, além da ameaça de assédio ou prisão pelas autoridades.

Mas os protestos não parecem estar a cessar, mesmo depois de o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, ter afirmado no sábado que "os manifestantes violentos devem ser colocados em seu devido lugar".