Esta vila no norte do Japão proibiu a exibição de fios elétricos para permanecer congelada na era dos samurais.

Esta vila no norte do Japão proibiu a exibição de fios elétricos para permanecer congelada na era dos samurais.

Nas montanhas de Fukushima, Ōuchi-juku Dá a impressão de ter sido deliberadamente isolada do Japão moderno. Sem cabos elétricos pendurados sobre as ruas, sem postes quebrando a perspectiva, sem letreiros de néon berrantes: esta antiga vila eliminou as linhas visíveis para preservar sua aparência do período Edo. O site oficial de turismo de Fukushima enfatiza que a ausência de linhas telefônicas e de energia aéreas permite uma vista quase intocada dos pontos mais altos da vila.

Uma antiga hospedaria para viajantes transformada em cápsula do tempo

Ōuchi-juku não era originalmente uma vila decorativa. Era uma antigo correio na estrada Aizu-Nishi Kaidō, usada durante o período Edo para conectar a região de Aizu a outras rotas importantes do país. Viajantes, comerciantes e funcionários feudais paravam ali antes de continuarem sua jornada.

Hoje, o valor do local reside na sua preservação. Casas com telhados de palha ainda ladeiam uma ampla rua central, como uma cena do Japão rural antigo. Em 1981, a área foi designada como distrito importante para a preservação de edifícios tradicionais, um estatuto que reforçou a proteção da sua aparência histórica.

Telhados de palha, neve e nenhum cabo no campo.

A decisão de ocultar as linhas de energia modernas muda tudo. Em muitas aldeias japonesas, os fios elétricos são parte integrante da paisagem. Em Ōuchi-juku, a sua ausência reforça imediatamente a sensação de voltar no tempo. Segundo o The Gate, os antigos telhados de metal foram substituídos por telhados de palha e os fios elétricos foram enterrados para restaurar a estética do período Edo.

A vila é particularmente espetacular no inverno, quando a neve cobre os telhados espessos e transforma a rua principal em um cenário quase surreal. Mas Ōuchi-juku também atrai visitantes fora de temporada, especialmente por suas casas convertidas em lojas, restaurantes e pequenos estabelecimentos de comida tradicional.

Um destino menos óbvio que Kyoto

Ōuchi-juku não tem a fama internacional de Kyoto, nem a acessibilidade imediata dos bairros históricos de Tóquio. É justamente isso que a torna tão interessante. As pessoas não vêm aqui para visitar um templo famoso, mas para observar um Japão rural que optou por resistir visualmente à modernização.

A vila não está totalmente intocada pelo tempo: recebe visitantes, vende lembrancinhas e serve uma de suas especialidades mais famosas, o macarrão soba com um alho-poró comprido. Mas sua paisagem continua sendo rara no Japão contemporâneo.

Num país onde os contrastes entre tradição e modernidade são muitas vezes espetaculares, Ōuchi-juku escolheu um caminho radical: apagar o que é excessivo, esconder o que é perturbador e deixar que as casas de palha contem a história.