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Conheça o Chef de cozinha Allan Sales que será o responsável por coordenar toda parte de alimentação brasileira para os atletas do Jogos Olímpicos de Tóquio.

Por Thaís Nakamine  

Allan Credendio Sales, natural de Marília (SP), é formado em Gastronomia pelo Senac e em Comunicação.
Chegou ao Japão há quase dois anos para trabalhar na pré preparação, como também coordenar toda parte de alimentação brasileira aos atletas dos jogos olímpicos.
O convite surgiu em meio às experiências que foi adquirindo ao longo dos anos trabalhando em grandes restaurantes do Brasil e do mundo. Allan que sempre amou viajar, já visitou diversos países, como Turquia, França, Estados Unidos, Canada, Irlanda, Filipinas, Espanha, Thailandia, para conhecer um pouco mais da cultura gastronômica local e aprimorar seus conhecimentos. Para ele, não se torna um Chef fazendo apenas uma faculdade ou um curso, precisa de alguma bagagem e experiência para poder delegar funções e cuidar de uma cozinha de forma que ela seja funcional.
Atualmente morando em Tóquio, Allan precisou modificar e reestruturar todo seu cotidiano no Brasil para acomodar seu filho e também sua esposa Vanessa Sales, que é gerente de projetos esportivos e também estará trabalhando no comitê organizador dos jogos olímpicos de Tóquio.

“Comecei a atuar bem cedo, primeiramente como ajudante de cozinha, depois virei cozinheiro e assim fui subindo de cargo, até virar um Chef. Hoje vejo que todo conhecimento que adquiri, seja em um país distinto, ou até mesmo em um simples boteco da minha cidade, me serviram como base para o meu crescimento profissional.”

O brasileiro coordenará sete cozinhas que funcionarão durante a aclimatação e treinamento. Como os atletas chegam antes do início dos jogos para treinarem e se adaptarem ao fuso horário e ao cotidiano, serão montadas bases de funcionamentos nesse período de pré jogos nas cidades de Sagamihara, Ota, Miyagase e mais duas bases oficiais dos esportes marítimos de Surf e Vela que ficam em Enoshima e Chiba.
Após esse período de adaptação, será montada uma cozinha oficial em Chuo, em frente a Vila Olímpica, onde os atletas poderão optar pela comida brasileira fora da comida da Vila Olímpica.

 “Em média, serviremos 35 mil refeições contando café da manhã, almoço, café da tarde e jantar. Serão quatro toleradas de arroz, quase três toneladas de feijão, 2.800kg de carne vermelha de boi, 3.000kg de peixe, 2.500kg de porco e 2.800kg de frango e frios. Teremos apoio de 18 alunos do último ano de gastronomia de uma faculdade do Brasil que atuarão como estagiários e também vamos contar com a parceria de um fornecedor da província de Aichi.”

Além do trabalho que faz para a organização dos jogos olímpicos, Allan aproveita seu tempo livre para conhecer a fundo cada vez mais a cultura gastronômica japonesa e de outras regiões. Mas segundo ele, conheceu muitos brasileiros residentes no Japão nos grupos de redes sociais e viu como tem sido a vida do cotidiano dos imigrantes que vieram ao país para trabalhar e morar.

“Sempre imaginei um Japão com muitos estrangeiros usando uniforme de fábrica, mas quando cheguei, vi uma diversidade de profissionais que atuam no mercado de trabalho nos mais diversos segmentos. Alguns abriram a própria empresa, outros trabalham na área de TI, setor imobiliário ou publicidade. Foi muito bacana poder conhecer um pouco da história de cada imigrante que chegou trabalhando como operário, mas hoje presta serviços às pessoas ou empresas renomadas.”

Segundo Allan, ver os brasileiros tendo oportunidade mesmo fora do seu país, tem sido gratificante, principalmente em sua área de atuação, pois poderá proporcionar aos profissionais brasileiros já residentes do Japão o envolvimento desse projeto em parceria com os jogos olímpicos. Os contratados serão praticamente brasileiros, incluindo os alunos de gastronomia que vem do Brasil. Todos trabalharão diretamente com Allan e toda sua equipe de cozinha.
Após as Olimpíadas, Allan atuará em outro país, mas segundo ele, o Japão trouxe muitas experiências positivas, tanto para sua vida profissional, como pessoal. Ele também finaliza a entrevista com uma mensagem ao leitor:

 “Acredito que quando temos a vontade de sair do lugar de onde estamos, o que move essa vontade é apenas o querer, determinar e seguir com esse objetivo. Quando comecei a cozinhar nunca pensei em ser cozinheiro o resto da vida, acho que quando lavei minha primeira alface na cozinha ou limpei o primeiro camarão a minha cabeça já estava focada em meu objetivo. Acredito que eu tenha hoje essa responsabilidade toda, devido o meu esforço, dedicação aliado à um objetivo. Este é o maior desafio profissional da minha vida, mas ainda não é meu objetivo e quero muito mais, não é fácil, mas corram atrás, vale a pena, eu costumo dizer que quem entra nessa profissão para ficar famoso está na profissão errada.” Finalizou.

Foto da capa por Babara Lopes 

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