De acordo com um membro do Banco do Japão, as condições financeiras são consideravelmente favoráveis em um contexto de iene fraco.
TÓQUIO – Um membro do conselho de administração do Banco do Japão afirmou que as condições financeiras do país "ainda são consideravelmente favoráveis" em relação aos fundamentos econômicos, dada a recente desvalorização do iene, sinalizando a necessidade de novos aumentos nas taxas de juros, segundo um resumo de opiniões publicado nesta segunda-feira.
"A tendência subjacente dos preços está se aproximando de forma constante de 2% e será necessário que o banco continue ajustando o grau de afrouxamento monetário no momento apropriado", disse o membro do comitê de política monetária, cujo nome não foi divulgado, durante a reunião de dois dias que se estendeu até 23 de janeiro.
Na reunião de janeiro, o Banco do Japão manteve sua taxa básica de juros inalterada após elevá-la para 0,75%, o maior patamar em 30 anos, em dezembro, alegando a necessidade de avaliar o impacto dessa decisão política.
Em relação ao momento do próximo aumento da taxa de juros, um membro disse que o banco "não deveria demorar muito" para avaliar o impacto do aumento de dezembro, já que o combate à inflação é uma "prioridade urgente", enquanto outro defendeu aumentos "em intervalos de alguns meses".
Alguns membros do conselho destacaram os efeitos da desvalorização do iene sobre a inflação, com um deles afirmando ainda que isso poderia levar a uma "maior desigualdade", já que um iene mais fraco aumenta os lucros e os salários das grandes empresas, ao mesmo tempo que reduz os das pequenas e médias empresas.
O resumo mostra que alguns membros também estão preocupados com o recente aumento das taxas de juros de longo prazo, com um comentário descrevendo-as como reflexo de "um acentuamento unilateral da curva de rendimento, que merece atenção", enquanto outro sugere examinar se credores e devedores conseguiram se ajustar ao ritmo recente de aumentos.
Em relação à recente desvalorização do iene e à alta das taxas de juros de longo prazo, outro analista afirmou: "A única solução no âmbito da política monetária é elevar a taxa básica de juros de forma oportuna e adequada", segundo o resumo.
Os títulos do governo e o iene sofreram pressão vendedora devido a preocupações com a saúde fiscal do Japão em meio às políticas de gastos expansionistas da primeira-ministra Sanae Takaichi. Os rendimentos dos títulos se movem inversamente aos preços.
Em janeiro, o indicador das taxas de juros de longo prazo ultrapassou os 2,3%, seu nível mais alto em cerca de 27 anos, um aumento acentuado em relação aos cerca de 1,6% registrados em outubro, pouco antes de Takaichi assumir o cargo.
Em uma coletiva de imprensa após uma reunião em janeiro, o governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, reiterou a disposição do banco central em intensificar as operações de compra de títulos em "circunstâncias excepcionais" para garantir a estabilidade do mercado, observando que os rendimentos dos títulos do governo japonês subiram em um "ritmo muito rápido" em transações recentes.

