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SEUL – As tensas relações políticas entre Japão e Coreia do Sul se deterioraram nas últimas semanas depois de Tóquio remover Seul da sua lista de parceiros econômicos preferenciais.

A medida afeta em larga escala a economia sul-coreana que depende da exportação de produtos japoneses para as suas indústrias de alta tecnologia. A decisão japonesa é uma retaliação aos protestos sul-coreanos envolvendo questões, como a dos coreanos obrigados a trabalhar em fábricas japonesas durante a Segunda Guerra Mundial.

Tóquio pagava indenizações para as famílias das vítimas, mas Seul considerava o ato insuficiente para apagar as cicatrizes passada, e chegou a exigir que o imperador japonês fosse pessoalmente se desculpar com as vítimas. As declarações do lado sul-coreano não agradaram o Japão, que nas últimas semanas começou a tomar medidas mais duras contra Seul, as primeiras desde o pós-guerra.

Na segunda-feira (5), o presidente sul-coreano, Moon Jae-in criticou abertamente o Japão, dizendo que “o governo japonês feriu profundamente os esforços dos cidadãos de ambos os países de superar o passado”. Ele chegou a se referir ao Japão como “o país que não se lembra do passado”. O presidente sul-coreano ressaltou também que provará ao mundo que o Japão é “um país que não conseguirá uma posição de liderança no mundo apenas pelo seu poder econômico”.

Moon chegou a afirmar que “O Japão de forma alguma impedirá as nossas atividades econômicas. Pelo contrário, a nossa determinação de ser uma potência econômica ganha um forte estímulo”. O presidente sul-coreano citou uma possível aliança econômica entre norte e sul.

“Se o norte e o sul conseguirem colocar em prática uma relação de cooperação econômica, podemos alcançar rapidamente o Japão”, disse o presidente da Coreia do Sul.

Protestos em Seul e reação do governo sul-coreano

Na capital sul-coreana, Seul, milhares foram as ruas protestar contra o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe. Estima-se que cerca de 15 mil pessoas se reuniram nas ruas de Seul.

Eles exigiram que o governo japonês volte atrás de sua decisão de remover a Coreia do Sul da lista de parceiros comerciais com preferência em procedimentos de exportação. Os manifestantes se disseram prontos para lutar até o fim.

Seul também já tomou a decisão de remover o Japão de sua lista de parceiros comerciais preferencias e prometeu levar a questão para a Organização Mundial do Comércio.

Para o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Lee Nak-yon, o Japão passou dos limitares que deveriam ser respeitados entre os dois países.

A reação do Japão e o apoio dos EUA 

Por outro lado, o governo japonês considerou como “infundadas” as críticas feitas pelo governo sul-coreano. As declarações foram dadas pelo chefe do gabinete do governo japonês, Yoshihide Suga, na segunda-feira.

Suga disse que não iria comentar sobre as declarações feitas por líderes de outros países e ressaltou que as medidas do governo japonês foram tomadas pensando em sua segurança nacional.

Já o ministro das relações exteriores, Taro Kono, conversou com repórteres no sábado (3), durante um encontro de líderes de países do Sudeste Asiático na Tailândia. Ele ressaltou que o Japão está fazendo tudo conforme as leis internacionais e que a decisão tem a compreensão de outros países, inclusive os EUA.

As declarações de Kono se referem ao Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que expressou compreensão sobre a posição do Japão no caso. O secretário americano pediu apenas que Tóquio e Seul tentem resolver a questão com base na diplomacia e tentando melhorar o laço entre as duas nações.

Fonte: Jiji.com, NHK WEB NEWS

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