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TÓQUIO – Os rumores e notícias falsas estão se espalhando em meio ao surto global do novo coronavírus. Kazuhiro Taira, professor de teoria da mídia na Universidade JF Oberlin, na capital, respondeu às perguntas para oMainichi Shimbun sobre as razões por trás da disseminação da desinformação e o que as pessoas podem fazer para evitá-la.

Pergunta: Por que informações imprecisas, como água quente, são eficazes contra o vírus, estão se espalhando?

Resposta: Como as contramedidas e remédios eficazes para o novo coronavírus não foram desenvolvidos, as pessoas desejam acreditar em informações que ofereçam a menor sugestão de solução. Falsos rumores se espalham principalmente por causa desse tipo de ansiedade. Especialmente no Japão, onde as perspectivas futuras estão se tornando cada vez mais incertas devido ao fechamento repentino de todas as escolas e outras respostas, há um profundo sentimento de preocupação.

De acordo com a “lei básica do boato” declarada pelos psicólogos americanos, o número de rumores em circulação varia de acordo com a importância do sujeito para os interessados, multiplicado pela ambiguidade das evidências pertinentes ao tópico. O novo coronavírus oferece risco de vida e é altamente importante para o público, mas pouco se sabe sobre ele. É importante, porém ambíguo, e é um ótimo exemplo de um problema que pode desencadear grandes quantidades de informações erradas.

Outro motivo é o uso global das mídias sociais. Essas plataformas já estavam disponíveis durante a pandemia de gripe de 2009, mas em uma escala muito menor. Por exemplo, os usuários mensais ativos do Facebook no mundo totalizaram pouco mais de 100 milhões, mas agora existem cerca de 2,5 bilhões de usuários ativos por mês. Em um piscar de olhos, os indivíduos podem compartilhar várias informações e notícias falsas em todo o mundo.

P: Por que as pessoas no Japão começaram a comprar papel higiênico?

R: “A compra de pânico” não está ocorrendo apenas no Japão, mas também está se tornando um problema em outros países asiáticos, incluindo China e Cingapura, bem como nos Estados Unidos, Austrália e em outros lugares.

Uma “profecia auto-realizável” refere-se ao fenômeno de alguém se comportando de certa maneira, esperando que algo aconteça e que a previsão se torne realidade. Apesar de suas lojas locais terem suprimentos de papel higiênico, muitas pessoas podem ter ficado preocupadas depois de ver fotos de lojas com prateleiras vazias nas mídias sociais e começarem a comprar o item.

P: O que as pessoas precisam observar ao lidar com esse tipo de informação?

R: Ao encontrar notícias que possam parecer surpreendentes, ou que as façam querer compartilhá-las com alguém que elas conhecem, devem primeiro respirar fundo e confirmar a fonte das informações. Fazer isso facilitará a sensação de alarme.

Além da compra de pânico, alguns dos rumores falsos por aí podem levar a possíveis discriminações e preconceitos raciais. Existe o risco de que eles possam desencadear discursos de ódio ou ataques violentos ao povo chinês e outros asiáticos. É importante entender que alguém pode ser responsabilizado por retweetar informações erradas com um simples toque na tela do smartphone.

A mídia social é uma plataforma na qual os usuários não atribuem muito valor à precisão das informações. Há uma descoberta de pesquisa que até sugere que postagens de notícias falsas têm maior probabilidade de serem retuitadas do que aquelas que lidam com informações corretas.

O governo japonês está pedindo às pessoas que se abstenham de saídas não essenciais e não urgentes. Também devemos evitar retweetar informações não essenciais e não urgentes on-line. Até agora, informações confiáveis foram basicamente divulgadas por órgãos públicos. É melhor não retuitar ou compartilhar informações ambíguas.

(Entrevistado por Jun Kaneko, Departamento de Notícias da Cidade)

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