Mais locais históricos estão sendo reabertos como hotéis de luxo para financiar sua manutenção.
QUIOTO — O que antes era um espaço para apresentações de gueixas e suas aprendizes no distrito de Gion, agora é um hotel de luxo, incentivando uma tendência mais ampla de converter estruturas históricas em acomodações para pernoite, visando financiar sua preservação e manutenção.
O edifício Yasaka Kaikan foi reinaugurado com o nome de Imperial Hotel Kyoto em 5 de março.
Designado como patrimônio cultural tangível pelo governo, ele se junta a uma antiga prisão, ao que outrora foi a mansão de uma rica família de comerciantes e a outras propriedades não convencionais remodeladas para acomodar hóspedes.
Além das receitas do turismo destinadas aos esforços de preservação, a ideia é que esses locais sirvam como pontos de interação entre o público e, potencialmente, contribuam para a revitalização das comunidades vizinhas.
MAIS DE 10 ANOS, 10 LOCAIS
A chegada ao Yasaka Kaikan foi o culminar de uma longa busca. Os responsáveis pelo Imperial Hotel afirmaram que procuravam estabelecer uma presença em Kyoto há mais de uma década e que tinham analisado mais de 10 locais potenciais.
No entanto, com a disparada dos preços dos terrenos no centro de Kyoto, as autoridades disseram acreditar que poderiam ter que abandonar o projeto em função da sua viabilidade comercial.
Foi nessa época que várias partes, incluindo o governo da cidade de Kyoto, entraram em contato com os responsáveis pelo Hotel Imperial para perguntar se poderiam usar o Yasaka Kaikan, que havia sido concluído em 1936 e estava em desuso.
Além de sua importância histórica, o edifício também se beneficia de uma localização privilegiada, a cerca de cinco minutos a pé do Santuário Yasakajinja.
Essa troca abriria caminho para sua transformação no quarto hotel da marca e o primeiro a ser inaugurado em 30 anos, desde 1996.
Foram investidos cerca de 12,4 bilhões de ienes (US$ 79 milhões) em reformas, com parte da estrutura original sendo preservada. Agora, o hotel conta com 55 quartos, e as diárias para duas pessoas começam em 164.500 ienes, com impostos inclusos.
A opção mais cara, a Suíte Imperial com uma área de aproximadamente 200 metros quadrados, custa 3 milhões de ienes por noite, incluindo impostos.
PROJETOS PARA AUXILIAR NA MUDANÇA DA LEGISLAÇÃO
Uma alteração de 2018 à lei sobre a proteção do património cultural é parcialmente responsável pelo aumento da conversão de locais históricos em centros de alojamento.
Essa mudança também reflete um desejo crescente de buscar o duplo objetivo de preservar e utilizar o patrimônio cultural, já que pouco se pode alcançar dependendo exclusivamente de doações e subsídios de governos locais para financiar os esforços de preservação.
O "Manual de Captação de Recursos para Bens Culturais", publicado pela Agência de Assuntos Culturais, descreve métodos que incluem o uso da fórmula de Iniciativa de Financiamento Privado (PFI) e a utilização de fundos regionais de revitalização.
Em Nara, a Hoshino Resorts Inc. deverá inaugurar em junho um hotel de luxo com 48 quartos em um antigo prédio da prisão de Nara. A estrutura original foi concluída em 1908 e foi uma das cinco principais prisões "modernas" da era Meiji (1868-1912) no Japão.
As diárias começam em 147.000 ienes por noite.
“Poucos outros edifícios oferecem uma qualidade tão impressionante”, disse Masaya Kakegawa, gerente geral do hotel. “Vimos isso como uma oportunidade de ouro.”
Em Hakodate, Hokkaido, a antiga residência Soma, classificada como um importante bem cultural, começou a funcionar como hotel no dia 1º de março.
Apenas três pessoas por dia podem se hospedar na residência particular, que combina estilos arquitetônicos japoneses e ocidentais.
O edifício foi colocado em leilão em 2008 e estava prestes a ser demolido, antes de ser preservado.
A Kazeno Heritage Ltd., operadora do hotel Old Soma Residence, com sede em Kyoto, já converteu 25 edifícios culturais em instalações de hospedagem.
"Assumiremos a responsabilidade de promover o desenvolvimento da comunidade regional através da utilização dessas propriedades", disse Jun Tarikino, diretor da Kazeno Heritage.

