Anos de diplomacia das sakuras chegam ao fim após a China esnobar o Japão.
WUXI, China — Representantes japoneses estiveram visivelmente ausentes da cerimônia anual de flores de cerejeira, que simboliza décadas de amizade entre os povos do Japão e da China.
A recusa de convites a convidados japoneses ocorre em meio a tensas relações bilaterais entre os dois países vizinhos.
Yutaka Shibata, de 74 anos, e sua família ajudaram a manter a floresta de 30.000 cerejeiras ao longo do famoso Lago Taihu em Wuxi, província de Jiangsu, na China, durante grande parte de sua vida.
Shibata, presidente da "Associação Conjunta Japão-China para a Preservação da Floresta da Amizade Sakura", lamentou a situação atual.
"Pensar que nossa relação de longa data poderia mudar por causa de um único comentário", disse Shibata.
Ele se referia às declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi à Dieta em novembro passado, nas quais ela afirmou que o Japão tomaria medidas em caso de uma emergência militar em Taiwan. As relações entre o Japão e a China deterioraram-se rapidamente em seguida.
Shibata é o segundo presidente da Associação de Preservação Japão-China, o grupo cívico que iniciou a cerimônia das flores. Ele herdou o cargo de seu sogro.
ALTERAÇÕES FEITAS NA CERIMÔNIA
Na cerimônia de 25 de março, estiveram presentes aproximadamente 40 dignitários de países como Coreia do Sul, Suécia e Sérvia. No entanto, não havia diplomatas japoneses nem membros de quaisquer associações.
O evento também foi transferido de sua localização tradicional à beira do lago para um local a quase 8 quilômetros de distância, perto da Prefeitura de Wuxi.
Em um discurso, o vice-prefeito de Wuxi elogiou o plantio de árvores como uma tradição de 39 anos que "gravou o legado de amizade na vida diária da cidade", mas não mencionou o Japão.
Ao ser questionado sobre o motivo, um funcionário da prefeitura simplesmente respondeu: "Estamos reduzindo a escala do evento este ano", acrescentando evasivamente: "Eu realmente não sei por quê".
UMA ROMPIDA COM A TRADIÇÃO
A exclusão dos japoneses representa uma ruptura brutal com a tradição recente.
Desde 2014, Wuxi realiza uma cerimônia em grande escala chamada "Semana Internacional de Apreciação das Cerejeiras em Flor", um evento do qual o Cônsul Geral do Japão em Xangai participa regularmente.
Na primavera de 2025, quando as relações entre as duas nações pareciam estar se estreitando, Kenji Kanasugi tornou-se o primeiro embaixador japonês em exercício na China a participar da cerimônia.
O bosque de cerejeiras junto ao lago foi criado em 1988, quando um ex-soldado japonês da província de Mie plantou as primeiras mudas.
Desde então, o projeto tem sido mantido pela associação Shibata e pela cidade de Wuxi.
PERSPECTIVA BASE
Em dezembro passado, um funcionário de Wuxi informou a esposa de Shibata, Kiyoko, de 75 anos, por telefone, que a cerimônia seria reduzida e que eles não seriam convidados.
Ela disse que percebeu um tom de desculpas por parte da pessoa responsável.
"A cidade de Wuxi também deve seguir a política do governo central", disse ela. "Acho que isso demonstra que, independentemente do nível de confiança existente em nível local, não há exceções na China."
A relação entre eles já havia resistido a tempestades diplomáticas, mantendo contato apesar das consequências da nacionalização das Ilhas Senkaku pelo Japão, no Mar da China Oriental, em 2012, e da pandemia de COVID-19.
O próximo ano marcará o 40º aniversário do projeto.
"As relações entre Japão e China estão em um ambiente muito difícil", disse Yutaka. "Mas quero valorizar nossa relação de confiança com uma visão de longo prazo, e não de curto prazo."

