Diretrizes elaboradas para selecionar pesquisadores em áreas sensíveis.
O governo elaborou suas primeiras diretrizes para verificar o histórico dos pesquisadores e restringir o acesso a informações sensíveis em áreas de tecnologia avançada, a fim de evitar que dados críticos de pesquisa vazem para o exterior.
Um painel de especialistas do Gabinete do Governo reuniu-se em 1 de dezembro para aprovar a minuta das diretrizes, que serão anunciadas oficialmente ainda este mês.
A partir de abril, os projetos financiados pelo governo no âmbito de programas classificados como de alto risco estarão sujeitos a novos controles.
Embora essas diretrizes não tenham força legal, elas devem orientar a forma como universidades e agências lidam com pesquisas sensíveis em áreas como semicondutores, inteligência artificial e ciência da informação quântica.
De acordo com as novas diretrizes, os investigadores principais, os estudantes e os investigadores seniores das instituições parceiras serão todos sujeitos a triagem.
A investigação irá concentrar-se em diversas áreas-chave, incluindo ligações com empresas estrangeiras identificadas pelo Ministério da Economia como representando riscos de segurança e o histórico de má conduta de um investigador.
Ele também verificará o recebimento de financiamento ou bolsas de estudo de governos estrangeiros, bem como a formação acadêmica.
Dependendo dos resultados, poderão ser impostas restrições ao acesso a informações sensíveis.
Ao mesmo tempo, as diretrizes enfatizam que nenhum tratamento discriminatório com base em nacionalidade, raça, religião ou origem cultural será permitido.
Kazuhito Hashimoto, presidente do grupo de especialistas e presidente da Agência de Ciência e Tecnologia do Japão, reconheceu a tensão entre as novas medidas e os princípios da pesquisa científica.
“Parte da iniciativa entra em conflito com os princípios da ciência, que valoriza a liberdade e a abertura”, disse ele. “Mas o avanço da colaboração internacional é inevitável.”
Segundo Hashimoto, países como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França já reforçaram medidas semelhantes de controle de risco nos últimos anos.
A ausência de uma estrutura semelhante no Japão tem gerado preocupações no planejamento de projetos conjuntos de pesquisa internacionais.
Por se tratar da primeira regulamentação desse tipo, espera-se que surjam desafios em todas as instituições, e Hashimoto enfatizou a importância de abordá-los assim que surgirem.

