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Francisco Vinicius Tanaka, atualmente com 32 anos, veio ao Japão ainda criança com seus pais quando tinha apenas cinco anos de idade. Apesar de estudar em colégio brasileiro, sua infância foi sempre ao lado de amigos japoneses, fazendo com que Vinicius aprendesse os dois idiomas fluentemente. Como morou por muitos anos na cidade de Kasugai (Aichi), local habitado com poucos brasileiros, com apenas treze anos Vinicius já era chamado para fazer traduções e ajudar as poucas famílias da cidade que não sabiam o idioma japonês.
“Por ser tão jovem e já ter bastante responsabilidade, estudava a noite e aos quatorze anos comecei a trabalhar em uma pequena fábrica de solda.”, disse Vinicius.
Por falar os dois idiomas fluentemente, logo virou líder e passou a convidar e cuidar de outros estrangeiros para trabalharem na mesma fábrica. Vinicius sabia que poderia ir além e aos dezoito anos mudou-se para região de Okazaki, obteve a própria independência e passou a ser tantousha de uma grande empreiteira em Aichi. Por sempre atuar como auxiliador, tradutor em geral , inclusive com locações de imóveis para seus funcionários, viu que poderia fazer outros tipos de negócios. Passou então a vender imóveis, porém as vendas de casas ainda não era seu trabalho oficial.


“Há mais de 10 anos na mesma empresa, tinha um trabalho estável, meu salário era bom, mas quando comecei a vender casas fui me apaixonando por esse nicho de mercado. E descobri que trabalhar como tantousha me desgastava, pois sempre que o telefone tocava, era pra resolver problemas. Já quando atendia telefonemas dos clientes da imobiliária, sabia que era algo positivo e prazeroso. Foi daí que resolvi mudar totalmente de vida e sair da minha zona de conforto para encarar um novo desafio.
A decisão não foi fácil, estudei muito para poder fazer com excelência o novo desafio, ser corretor de imóveis.”, contou Vinicius.
Atualmente trabalha como corretor e gerente de vendas de Toyohashi pela imobiliária JI Consulting. Está há três anos como corretor e garante que valeu a pena mudar de profissão, pois segundo ele, seu trabalho é uma diversão.
“Desde cedo tenho prazer em poder ajudar a comunidade.
Antes eu era pago pra resolver problemas. Hoje realizo sonhos e ainda sou pago por isso! Isso é motivador.”, disse Vinicius.
Nesse ano de 2019, Vinicius deu mais um salto e abriu com sua esposa Gesislaine Tyeko Yamada a loja oficial da Colcci, com modelagem brasileira. O casal que já trabalhava com uma loja de roupas no Brasil , inaugurou no início de novembro a Colcci na cidade de Toyohashi.


“Nosso objetivo é criar redes e expandir para outras províncias. Ainda estamos pensando na possibilidade do e-commerce, mas nosso foco por enquanto é a venda de roupas nas lojas física. 2019 está encerrando com um grande progresso, mas para 2020 teremos muitas novidades.”, disse Vinicius.
Segundo ele, empreender no Japão não é difícil. Seja como vendedor ou como empresário, é necessário acima de tudo muita força de vontade e conhecimento.
Por isso fez muitos cursos de empreendedorismo durante esses anos pra entender amplamente como funciona o mundo dos negócios e pretende passar seus conhecimentos para quem deseja também sair da zona de conforto e encarar novos desafios.

Mensagem ao leitor:
“Fui criado no Japão desde criança ao lado de japoneses, mas logo passei a estudar em escola brasileira. Percebi que existia uma diferença cultural muito grande entre os dois países.
Absorvi o que há de bom nas duas culturas, aprendi muito bem os dois idiomas e busquei ao máximo achar um equilíbrio em ambos os costumes dos países para me tornar uma pessoa, ágil, criativa, pontual, entre outras qualidades. E vi que deu certo, ser brasileiro no Japão pode ser negativo ou positivo, isso depende somente de você e como você se coloca diante as pessoas.
Infelizmente, nas centenas de contato que ja tive com as famílias aqui, vejo que a maioria das crianças sofrem por não conseguirem acompanhar os japoneses nos estudos, e acabam desanimando e perdendo a alto estima com isso.
E a minha experiência me motiva a dizer aos pais que é necessário incentivar seus filhos a estudarem o idioma japonês sim, mas incentiva-los a dar valor na essência brasileira que eles tem, e se orgulharem por isso.


Sempre costumo dizer que o plano B dos brasileiros no Japão, é o motivo do plano A não dar certo. O fato das pessoas terem esperança de voltar ao Brasil, ou saber que se algo der errado no Japão podem ir embora a qualquer momento, faz com que elas não consigam se entregar totalmente ao país em que vivem, e isso, as impossibilita de progredir aqui ou lá, e isso se reflete nas crianças que acabam não se dedicando aos ensinos que lhe dariam futuro no Japão.
A partir do momento em que decidimos queimarmos essa ponte, criamos raízes e começamos a viver o Japão verdadeiramente, tomando decisões e iniciativas para que as coisas aconteçam e assim prosperamos e ganhamos espaço cada vez mais nesse Japão .”, concluiu Vinicius.

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