Foto/Ilustração

DOCUMENTOS DIPLOMÁTICOS: Arquivos revelam conversas de Murayama sobre a missão de ajuda das Forças de Autodefesa em 1994

Segundo documentos diplomáticos divulgados em 24 de dezembro, o primeiro-ministro Tomiichi Murayama explorou opções com o presidente dos EUA, Bill Clinton, e o chefe da agência da ONU para refugiados, para enviar as Forças de Autodefesa à África em 1994, em sua primeira missão humanitária internacional durante seu mandato.

O Ministério das Relações Exteriores desclassificou os arquivos, concentrando-se naqueles de 1994, quando o gabinete de coalizão Murayama foi formado pelo Partido Liberal Democrático, o Partido Socialista Japonês e o Novo Partido Sakigake, de acordo com uma regra interna que, em princípio, prevê a divulgação de documentos após 30 anos.

Segundo essas fontes, Murayama, então líder do Partido Socialista Japonês, declarou durante uma reunião com Clinton em 8 de julho de 1994, logo após assumir o cargo: "A cooperação entre o Japão e os Estados Unidos é do interesse da paz mundial. Embora sinta o peso da responsabilidade que recai sobre mim, quero cooperar para enfrentar os desafios que a comunidade internacional enfrenta."

Um grande número de refugiados fugiu para países vizinhos devido aos massacres de civis durante a guerra civil ruandesa.

Em 22 de julho, Clinton enviou uma carta a Murayama afirmando que a ajuda necessária aos refugiados excedia a quantidade que as forças americanas e francesas podiam fornecer e solicitou o envio de uma unidade de ajuda humanitária.

Após a Guerra Fria, os Estados Unidos voltaram sua atenção para a África, onde os conflitos continuaram.

Em meio às crescentes críticas nos Estados Unidos sobre o número cada vez maior de mortes de soldados enviados para a operação de manutenção da paz (PKO) da ONU na Somália, os Estados Unidos também se comprometeram a fornecer ajuda aos refugiados ruandeses juntamente com as forças francesas.

Em sua resposta de 3 de agosto, Murayama afirmou: "Este é um dos maiores problemas humanitários que a comunidade internacional enfrenta. Forneceremos toda a cooperação possível para que possamos contribuir para sua resolução."

Em sua resposta de 17 de agosto, Clinton disse estar satisfeito que os dois maiores doadores de ajuda do mundo pudessem empreender uma cooperação tão vital.

Segundo os arquivos do Ministério das Relações Exteriores, Murayama disse ao vice-ministro das Relações Exteriores, Kunihiko Saito, em 3 de agosto: "Suponho que não nos destacaremos a menos que façamos uma contribuição em termos de pessoal, e não apenas de dinheiro."

18 de agosto, Sadako Ogata, Alta Comissária das Nações Unidas para Refugiados, Quem estava apelando à comunidade internacional para que ajudasse os refugiados ruandeses, telefonou para Murayama e insistiu: "É necessário enviar uma organização autossuficiente para a região."

Murayama, que havia hesitado, respondeu: "A compreensão sobre o destacamento das Forças de Autodefesa está crescendo entre o público. Quanto antes, melhor."

Embora também tenha havido reclamações por parte de membros do JSP, o gabinete de Murayama decidiu, em 13 de setembro, enviar o FDS.

A lei de cooperação em operações de manutenção da paz havia sido promulgada dois anos antes, durante um governo do Partido Liberal Democrático (PLD), e o Partido Socialista da Jamaica (PSJ), que na época era o maior partido de oposição, se opôs veementemente a ela para "impedir o envio de tropas para o exterior".

Diante da deterioração da segurança local, as Forças Democráticas Sírias (SDF) retiraram-se conforme planejado em dezembro de 1994, sem sofrer quaisquer perdas.

Em seu discurso político de janeiro de 1995, Murayama afirmou: "As atividades das Forças de Autodefesa do Iraque (SDF) são altamente conceituadas internacionalmente. Contribuiremos ativamente para as atividades da ONU, como as operações de manutenção da paz."

Murayama faleceu no início deste ano, aos 101 anos de idade.

(Este artigo foi escrito por Mano Keita e pelo editor principal Naotaka Fujita.)

***

Este artigo faz parte de uma série baseada em documentos diplomáticos desclassificados pelo Ministério das Relações Exteriores do Japão em dezembro de 2025.