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Estudo: Trauma persiste em 26% dos sobreviventes do ataque com gás sarin em Tóquio.

Mais de três décadas se passaram desde uma das manhãs mais sombrias do Japão pós-guerra. No entanto, para muitos sobreviventes do ataque com gás sarin no metrô de Tóquio, o horror nunca terminou de verdade.

De acordo com uma pesquisa realizada por uma organização de apoio às vítimas, 26% das 276 pessoas que foram envenenadas com sarin durante o ataque ainda apresentam sintomas sugestivos de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Eles afirmaram que reviviam o ataque por meio de flashbacks e esforços para evitar lembranças do ocorrido.

Em 20 de março de 1995, membros da seita Aum Shinrikyo lançaram gás sarin em três linhas de metrô durante o horário de pico da manhã. O agente nervoso matou 14 pessoas e feriu mais de 6.000.

A investigação foi conduzida entre novembro e dezembro de 2025 pela Aum Shinrikyo Hanzai-Higaisha Shien Kiko, uma organização de apoio às vítimas de crimes cometidos pela seita apocalíptica, em colaboração com pesquisadores.

O grupo continua seus esforços para obter indenização da organização que sucedeu a seita.

Questionários foram enviados a 1.058 vítimas e seus familiares, e 323 respostas válidas foram recebidas.

Ao serem questionadas sobre seu estado físico e mental atual, 48% das 276 vítimas disseram que "sentiram medo ao se aproximarem do metrô ou do local do incidente", enquanto 45% disseram que "evitaram mencionar o incidente".

Mais de 70% também relataram sintomas físicos, como "cansaço ocular fácil" ou "visão turva".

É IMPOSSÍVEL PEGAR O METRÔ

Sintomas relacionados ao TEPT, como "o incidente volta à minha mente de repente" ou "um sentimento de irritabilidade", foram observados em 26% das vítimas. Esse número é apenas 3 pontos percentuais menor que os 29% registrados na pesquisa anterior, em 2014.

Ao serem questionados sobre o ataque à Aum Shinrikyo, 75% das vítimas responderam que "não queriam que fosse esquecido". Em relação a medidas futuras de apoio e conscientização, a resposta mais comum, escolhida por 40%, foi "cobertura contínua da mídia".

Além disso, 44% dos 32 familiares e parentes enlutados mencionaram a necessidade de "apoio econômico".

Em 2018, 13 ex-membros proeminentes da seita foram condenados à morte, incluindo a fundadora do grupo, Chizuo Matsumoto, mais conhecida como Shoko Asahara.

Apesar disso, 41% das vítimas e 34% de seus familiares disseram que "não sentiram nenhum alívio" após as execuções.

Yutaka Matsui, professor emérito da Universidade de Tsukuba e especialista em estresse traumático relacionado a desastres, liderou o estudo.

Ele afirmou que, em casos de terrorismo químico, como o ataque com gás sarin no metrô, a evolução dos sintomas a longo prazo permanece incerta, de modo que a ansiedade das vítimas tende a persistir, podendo prolongar o TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático).

"Ainda há muitas pessoas sofrendo hoje em dia. Espero que isso leve a um apoio adicional", disse ele sobre o estudo.

Vozes extraídas da seção de comentários abertos da pesquisa:

● “Ainda não consigo andar de metrô sozinha. Quando vejo reportagens sobre o incidente, tenho sintomas como hiperventilação e choro incontrolável.”

"Não consigo entrar em trens. Espaços fechados, como cinemas ou salas de reunião, também são impossíveis para mim."

"Não consigo perdoar a Aum. Meu coração não se sente mais leve, mesmo depois da execução de seus membros."

"Quero recuperar minha saúde e voltar a ser como era antes do incidente. No mínimo, quero ajuda com minhas despesas médicas."

"Para as vítimas, as memórias permanecem, não importa quanto tempo passe. Espero que a mídia garanta que isso nunca desapareça."