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Especialistas em defesa e legisladores pedem busca mais séria por OVNIs

A pesquisa sobre OVNIs, que inicialmente atraiu olhares e sorrisos confusos, agora é vista como uma parte cada vez mais crucial do sistema de defesa do Japão e precisa de apoio adicional.

Na verdade, os estudos estão mais focados em objetos artificiais, como drones e equipamentos de espionagem, do que em criaturas espaciais. Essas aeronaves misteriosas agora são chamadas de fenômenos aéreos não identificados (UAPs).

Vários avistamentos de OVNIs foram relatados perto de locais sensíveis no Japão, levando especialistas em segurança e legisladores japoneses a pedirem pesquisas e monitoramento mais sérios.

Balões de vigilância vindos da China atraíram a atenção nos Estados Unidos e no Japão. Drones, por sua vez, tornaram-se armas essenciais para reconhecimento e ataques com mísseis na Ucrânia e no Oriente Médio.

O Japão reconheceu essas tendências e considera os UAPs não como mera superstição, mas como uma questão que exige séria consideração de segurança nacional.

Em 7 de agosto, uma reunião a portas fechadas foi realizada no porão do prédio de escritórios dos membros da Câmara Baixa, no distrito de Nagatacho, em Tóquio.

O assunto foi o avistamento de três luzes misteriosas acima da usina nuclear da Kyushu Electric Power Co. em Genkai, província de Saga.

No final de julho, quatro seguranças perto do portão principal da fábrica avistaram três luzes de drones no céu noturno.

Entretanto, nenhum drone foi fisicamente encontrado e a natureza exata das luzes permanece desconhecida.

Os legisladores relevantes realizaram audiências com autoridades da Autoridade de Regulamentação Nuclear, do Ministério da Defesa e do Ministério de Terras.

Yasukazu Hamada, membro da câmara baixa do Partido Liberal Democrata e ex-ministro da Defesa, foi um dos legisladores afetados.

"Se não conseguirmos identificar o que é, será impossível determinar se o Departamento de Defesa ou a Agência Nacional de Polícia deve lidar com isso", disse ele.

Hamada lidera um grupo parlamentar que analisa o UAP de uma perspectiva de segurança.

O grupo, criado em junho de 2024, realizou duas reuniões gerais e convidou formuladores de políticas dos EUA envolvidos em medidas de UAP a fornecer comentários online.

Em maio, o grupo solicitou ao Ministério da Defesa que criasse uma unidade dedicada a coletar informações sobre UAPs.

Dentro das Forças de Autodefesa do Japão, avistamentos de OVNIs têm sido relatados há algum tempo.

De acordo com fontes das SDF, vários relatos descreveram "objetos tricolores voando em ziguezague e depois desaparecendo" perto de usinas nucleares.

Internacionalmente, os OVNIs são levados a sério como uma questão de segurança.

Em 2023, os militares dos EUA derrubaram um balão de vigilância chinês, o que se tornou um incidente diplomático.

O Japão relatou objetos semelhantes em formato de balão três vezes entre 2019 e 2021, e havia fortes suspeitas de que eles fossem usados ​​para reconhecimento chinês.

Em resposta, o Japão suavizou as condições sob as quais armas podem ser usadas para interceptar tais objetos que entram no espaço aéreo nacional.

Em abril do ano passado, um vídeo de um aparente drone filmando um navio de escolta marítima das SDF circulou nas redes sociais.

"Ainda pode haver muitos objetos voadores não identificados de outros países que ainda não conseguimos detectar tecnologicamente", disse um alto funcionário do Ministério da Defesa.

Nos Estados Unidos, o interesse em UAPs como uma ameaça à segurança aumentou.

Em 2022, o Departamento de Defesa formou o Area Anomaly Resolution Office (AARO) para investigar potenciais ameaças relacionadas a UAPs.

Um relatório da AARO não encontrou evidências de OVNIs originários de tecnologia extraterrestre. Concluiu que muitos avistamentos desde a década de 40 provavelmente decorreram de tecnologias stealth ou drones mal identificadas, entre outras coisas.

Entretanto, o Japão ainda não conduziu uma pesquisa abrangente sobre UAPs.

"Se você disser que está estudando UAP nos círculos acadêmicos aqui, corre o risco de ser visto como um pesquisador estranho, e o financiamento é improvável", disse Yuzo Murayama, professor emérito da Universidade Doshisha, especialista em segurança tecnológica.

No entanto, Murayama diz que a importância da pesquisa de UAPs continuará a aumentar com o uso crescente de drones e balões de reconhecimento ao redor do mundo.

Heigo Sato, chefe do Instituto de Estudos Globais da Universidade Takushoku, em Tóquio, observou que os Estados Unidos começaram a estudar os UAPs na década de 40 para se protegerem contra potenciais ameaças de adversários como a União Soviética, a Alemanha e o Japão. Os estudos visavam garantir que esses países não coletassem informações.

"A estratégia mais temida é um ataque surpresa", disse Sato. "Coletar informações sobre fenômenos atualmente desconhecidos é importante para a segurança."

Ele acrescentou: "A pesquisa sobre UAPs não é nem oculta nem frívola."

(Este artigo foi escrito por Shoko Mifune e Daisuke Yajima.)