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Era ano de 1996, quando a família Kowaltschuk resolveu vir ao Japão em busca de melhores horizontes.
Na época, os irmãos Richard, Jefferson e Juliana ainda muitos jovens deixaram seus amigos no Brasil, para acompanhar os pais em busca de uma oportunidade melhor para a família. Todos chegaram com a dívida das passagens financiadas, cerca de ¥480.000 para cada um, mas somente seus pais e Richard que já tinha 18 anos trabalhavam na época. Os outros dois ingressaram na escola japonesa para dar continuidade nos estudos e aprender o idioma. A família inicialmente foi morar em Hamamatsu (Shizuoka), até conseguir quitar as passagens para depois criar raizes em Aichi.
“Na época, morávamos em um pequeno apartamento, todos apertados e a única coisa que tínhamos era uma televisão de 14 polegadas vermelha que peguei no lixo. Me esforcei muito quando cheguei, pois queria ser independente e aprender de tudo um pouco. Cheguei a trabalhar em diversos serviços, como autopeças, fundição, garçom e até mesmo trabalhando de lixeiro correndo atrás do caminhão pelas ruas de Nagoya.” Lembrou Richard.

Quando Jefferson já tinha terminado os estudos e ingressou para o mercado de trabalho, os dois irmãos começaram juntos em uma fábrica na qual estava carente de mão de obra brasileira. Aos poucos, foram ajudando a empresa no recrutamento de brasileiros, chegando a 350 contratações. Para eles, essa experiência serviu de aprendizagem em lidar com recursos humanos.
“Da mesma forma que aprendemos a lidar com as contrações, também tivemos que aprender na prática o trabalho mais difícil. Quando veio a crise no Japão em 2008, precisamos fazer o desligamento de quase todas estas pessoas, restando apenas cerca de cinco a dez funcionários. Foi muito difícil lidar com aquela situação na época, pois o Japão estava vivendo uma crise eminente e não tínhamos o que fazer.” Disse Richard.
Após 17 anos trabalhando como funcionário, mas com muita experiência em recrutamento e relações interpessoais, Richard queria sair de sua zona de conforto e viu que já era o momento em que precisava tomar uma decisão para que pudesse crescer mais profissionalmente. Apesar de estar em uma situação estável, tanto no trabalho como financeiramente, ele sabia que ao abrir o próprio negócio encarando a realidade para começar do zero, correria muitos riscos e nenhuma garantia que daria certo.
“Foi uma decisão difícil mas eu e Jefferson acabamos por decidir abrir nossa própria empresa em 2013, a R.J Kabushikigaisha. Quando começamos, passamos a ver um Japão no qual ainda não havíamos conhecido. O início foi extremamente difícil e de grandes sacrifícios, houve momentos inesquecíveis até hoje ficam gravados em nossa mente. Situações como por exemplo ao chegar em algumas fábricas e oferecer nossos serviços, muitos deles batiam a porta literalmente na nossa cara. Muitos lugares sequer nos recebiam, éramos barrados na entrada sem ter sequer a chance de falar com o encarregado. Houve momentos em que japoneses quando nos viam, de longe abanavam a mão nos mandavam embora que não queriam se quer falar conosco.

Mas graças a Deus, dia após dia incansavelmente mesmo trabalhando meses sem receber salário, pouco a pouco conseguimos dois clientes nos quais conseguimos colocar mais de 100 pessoas para trabalhar.” Lembrou Richard.
Hoje, sete anos após o início da empreiteira R.J, os irmãos olham para trás e veem que tudo valeu a pena, pois foi com muito suor e esforço que conseguiram comprar e construir a própria sede em Nagoia, um sonho da qual parecia impossível quando começaram com a empreiteira ainda em 2013. Para os irmãos Kowaltschuk, a força de vontade, perseverança e determinação é fundamental para conquistar seus objetivos. Depois de muitas tentativas, onde chegaram a ficar meses sem salário, somente investindo para que a empresa fechasse contrato com as indústrias japonesas, a R.J atualmente conta com um leque de mais de 30 clientes e um quadro de mais de 400 funcionários e colaboradores.
“Foram muitos anos de aprendizagem, das quais me motivaram a crescer mais e mais profissionalmente. Hoje nossa empresa é respeitada no mercado, tem um grande nome e carrega uma bagagem de experiência. Mas sempre estamos em busca de novos horizontes, assim como chegamos no Japão ainda em 96. Sempre vemos que há áreas que podem ser conquistadas. E para 2020 queremos abranger essas novas áreas de trabalho para oferecer muito mais oportunidade de trabalho diferenciado, dos quais ainda não foram as explorados pelos brasileiros no Japão. Agradeço a todos nossos funcionários, colaboradores, minha família, meus pais Pr. Waldir e Pra. Iracema e minha queria esposa Mayla Leiko que sempre acreditaram em nossos serviços. Hoje a R.J Kabushikigaisha está dando mais um passo e sabemos que todo juntos fazem parte dessa conquista, pois sem eles com certeza não conseguiríamos chegar onde estamos hoje.”

Mensagem ao leitor:
“Nunca desistam do seu sonhos, estude, se aperfeiçoe na língua local, faça relacionamentos e acima de tudo nunca deixe a soberba subir a cabeça, seja sempre humilde, valorize sua esposa e familiares que estão ao seu lado todos os dias, mesmo nos maus dias, te dão força para seguir adiante e não desistir nunca.” Finalizou.

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