O Hiroshima A-Bomb Play retorna a Sydney para marcar o 80º aniversário.

O Hiroshima A-Bomb Play retorna a Sydney para marcar o 80º aniversário.

SYDNEY – Uma peça japonesa que explora as emoções conflitantes de uma jovem que sobrevive ao bombardeio atômico de Hiroshima em 6 de agosto de 1945 e as do fantasma de seu pai que não sobreviveu, retornou aos palcos de Sydney pela segunda vez para marcar o 80º aniversário do trágico evento.

A peça, intitulada "O Rosto de Jizo" em inglês e "Chichi to Kuraseba" (Vivendo com o Pai) em japonês, será encenada a partir de quinta-feira, em sua primeira apresentação desde 2023, expondo o público ao impacto humano da guerra enquanto os atuais conflitos globais continuam.

A história se passa em Hiroshima cerca de três anos após o lançamento da bomba atômica, quando Mitsue, uma jovem bibliotecária, volta para casa e encontra o fantasma de seu pai, Takezo, que morreu no ataque.

Explorando temas de culpa, perda, coragem e o primeiro amor dos sobreviventes, a peça, escrita pelo popular dramaturgo japonês Hisashi Inoue e traduzida pelo autor australiano nascido nos Estados Unidos, Roger Pulvers, combina momentos de comédia e emoção sincera para contar a história do que aconteceu há 80 anos e alertar contra permitir que a história se repita.

O ator e produtor Mayu Iwasaki, 38, que interpreta Mitsue, espera que a produção estimule conversas entre o público, permitindo que eles vivenciem mais claramente a realidade do impacto da guerra.

"Quando você vê as notícias e as imagens de Gaza, você sente aquele pesadelo, mas ele ainda parece muito distante. Mas se você estiver na mesma sala que nós, e se o público viver a experiência desta família, espero que isso gere mais conversas", disse Iwasaki, um ator japonês radicado em Sydney, à Kyodo News antes da estreia da peça.

Na peça, sua personagem Mitsue é atormentada pela culpa por ter sobrevivido à bomba quando muitos ao seu redor não sobreviveram, sentindo que não tem o direito de ficar feliz quando amigos e familiares tiveram suas vidas interrompidas.

Mas quando ela se apaixona por um jovem estudioso que coleciona artefatos afetados pela explosão, o fantasma de seu pai se torna seu incentivador amoroso, encorajando Mitsue a abraçar a felicidade e seguir em frente com sua vida.

O ator e codiretor Shingo Usami, 56, que interpreta Takezo, disse na sala de ensaio que sentiu uma forte sensação de responsabilidade em continuar contando as histórias das gerações mais velhas que viveram a guerra.

"É sobre Hiroshima e a bomba atômica, mas não é só sobre Hiroshima e a bomba atômica. É sobre o que a guerra faz com a vida de civis", disse Usami, que também mora em Sydney.

Ao reprisar o papel de Mitsue, Iwasaki espera recorrer às conversas que teve com Keiko Ogura, sobrevivente de Hiroshima de 88 anos, no início deste ano, para dar profundidade e força à sua personagem.

“Fiquei muito inspirado ao conversar com ele”, disse Iwasaki, destacando a perspectiva positiva de Ogura, que compartilhou sua experiência e trabalhou como intérprete de inglês para outros sobreviventes da bomba atômica, que matou cerca de 140 pessoas em Hiroshima até o final de 000.

Para Usami, há um senso de urgência em transmitir as histórias daqueles que vivenciaram os impactos traumáticos dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, à medida que a geração mais velha morre.

"É nossa responsabilidade continuar lembrando as pessoas o máximo possível", disse Usami.

The Face of Jizo será apresentada no Seymour Centre de Sydney até 6 de setembro, com algumas apresentações no japonês original com legendas em inglês.

A peça, originalmente encenada no Japão em 1994, foi encenada diversas vezes no exterior. Foi adaptada para o cinema em 2004.