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Conheça a história da empresária brasileira, da Enterprise 21 que inclui a Século 21, que tem quase uma década no mercado. Ela conta sua trajetória e o que conquistou desde os 21 anos quando fundou a boutique em Komaki (Aichi).

Aos 10 anos chegou na província de Saitama, junto com a família, em 1.996. “Tudo o que sonhava era voltar para o interior de onde vim, lá em Goiás”, relembra. Com essa idade, Márcia Hisae Takahashi, foi para a escola japonesa. Mesmo sabendo que aos 14 não tinha idade para trabalhar, lá foi ela, até os 17. Voltou ao país de origem para estudar. O sonho inicial já seria realizado. Lá fez 2 anos de faculdade de direito e estagiava no fórum. Como queria ter salário foi trabalhar em uma boutique no shopping. “Gostei dessa atividade, vendia bem. Me identifiquei mais com ele do que com o estágio”, revela sorrindo. Aos 20 retorna ao Japão, para a cidade de Komaki (Aichi), onde se enraizou.

A empresária Márcia, olha para o passado e vê que foi corajosa. Na época ainda era namorada do Masaru, um famoso tatuador que tem um espaço na mesma cidade, e com quem se casou mais tarde. “Com 21 anos inaugurei a boutique Século 21. Era boutique mesmo, com roupa de griffe, não um espaço dentro de uma loja de produtos brasileiros como era comum na época.

Há mais de 4 anos transformou sua boutique em uma empresa kabushiki gaisha, fundando a Enterprise 21, importadora e distribuidora de griffes  – moda feminina, infantil e recentemente iniciou a masculina. Durante essa trajetória ela enfrentou o Lehman Shock, depois o tsunami de 2011.

“Foram momentos difíceis, só superei por causa das boas parcerias que tenho no mercado. Eles me ajudaram muito”, pontua.

Aliás, parceria, amizade, aliança e irmandade são palavras e ações que a empresária pratica diariamente. “Ninguém veio pra cá pra ser empresário, a gente erra e aprende. A colheita vem dos esforços. Hoje sei que sou uma empresária”, explica com simpatia, sua marca.

Carismática, determinada, bem sucedida e ligada em 220, Márcia teve um problema de saúde que a levou de volta ao Brasil, quando tinha 27 anos. “Desmaiava, não enxergava bem a noite para dirigir e os médicos daqui não encontravam a causa. Mesmo no Brasil, passei por 4, até que o último percebeu meu jeito de ser e suspeitou de uma doença. Fiz exames e bingo!”, relata.

Desaceleração obrigada
A descoberta foi um marco na vida ao mesmo tempo em que a deixou aliviada. “Tive diabetes emocional. A taxa subia no decorrer do dia, por isso não enxergava bem a noite, e o médico foi enfático: desaceleraria ou teria derrame cerebral”, conta. Para a workaholic Márcia, “foi uma grande lição e agradeço por ter descoberto a tempo”. Assim, ela conta que retornou, fechou as demais boutiques, mantendo o que foi seu início, a de Komaki.Segundo a empresária, continua com o foco no trabalho mas em um ritmo mais adequado, treinando colaboradores, apostando nos parceiros e isso a fez cuidar da saúde, ter mais mais tempo para a família, já que depois disso resolveu ser mãe.

Hoje sua filha tem 2 anos e meio, o que faz a mãe, esposa, dona de casa e empresária equilibrar a vida pessoal, social e dos negócios. “Filha e família são super importantes. Mulheres independentes, às vezes, falham nos papéis domésticos, mas procuro equilibrar tudo”, conta, referindo-se a todos os seus papéis diários, gerenciados na medida do possível, “quando tudo parece o caos digo: sorria, relaxa, vamos ter bom humor!”.

Mercado aquecido
“O mercado está aquecido há 2 anos”, revela a empresária. Tanto dentro da comunidade como na sociedade japonesa, onde sua empresa está colocando griffes brasileiras, as quais tem tido boa aceitação, tanto que irá participar de uma feira promovida pela Apex, na capital japonesa.

Para atender, tanto os brasileiros quanto os japoneses, ela deixa a zona de conforto, aliás, coisa que não existe para a inovadora. “É preciso alavancar, aprimorar o atendimento, passar a essência, o conceito e fazer disso um diferencial”, explica. “Valorizar a equipe de trabalho, tratando os recursos humanos como merecem, com seus direitos como bônus e férias. Isso é importante na empresa”, aponta.

Corpo-mente-espírito
A empresária que sempre zelou pela sua imagem disse que não estava satisfeita com os quilos ganhos na gestação. “Me olhava no espelho e não me achava bonita”, revela. Não teve dúvida: contratou uma personal trainer e passou a dedicar uma parte de sua agenda na academia. Não bebe nem fuma, o que colabora para a sua saúde, come bem mas malha. “Adoro snowboard e andar de bicicleta”, exclama a empresária que agora está com vontade de começar a correr. “O meu marido me incentiva”, comemora. E vai separar mais um tempo na correria do trabalho para manter a forma.

Na vida pessoal, ela e o marido tem atividades empresariais diferentes e, para Márcia, isso é importante. “As realizações são individuais, por isso, torcemos um pelo outro”, conta. Nos planos do casal a volta ao Brasil não está na lista.

“Ter vindo ao Japão foi uma oportunidade única! Bastou eu aceitar e viver que tudo ficou ótimo! É um grande aprendizado viver num país de primeiro mundo e eu adoro”, exclama.

Com apenas 31 anos, cheios de experiências, aprendizados e crescimento, Márcia confessa: “Sou bem realizada, como pessoa e como profissional. O dinheiro é consequência do trabalho”, finaliza sorrindo.

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