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Aparentemente o trabalho parece ser tranquilo e favorável, num dos países mais seguros do mundo. Entretanto, zelar pela segurança em casas noturnas e eventos, não é tão simples assim. Pelo menos, é o que relata o mineiro de Uberlândia, David Rayashi, 48, residente em Aichi.

foto: Alex Santos
foto: Alex Santos

Há 21 anos no arquipélago, David é dono da Security Brutal Team, já teve seus momentos áureos com uma equipe de 156 seguranças, gerando em média 45 vagas por semana, no tempo em que a comunidade tinha mais de 300 mil pessoas. Já chegou a trabalhar com 300 seguranças diferentes ao longo da carreira.

Atualmente, trabalha com uma equipe mais enxuta, com 54 seguranças, atuando também no mercado japonês. Na região, todos os clubers conhecem David e sua equipe. Ele contabiliza mais de 2.700 trabalhos desde meados de 1.999.

Relembra que “não me adaptei a clausura e sempre procurava um trabalho que me desse mais liberdade de ação e interação. Comecei a fazer alguns trabalhos esporádicos nesta área. Como alguns organizadores me pediam para levar amigos e que eu os coordenasse e os preparasse, pois gostavam como eu desempenhava as funções que em mim confiavam,  então a partir de 2001 montei o primeiro grupo”. Assim foi o começo de um negócio bem sucedido e pude deixar a tal clausura para trás.

Mistura explosiva e perigosa
“A vida de segurança aqui no Japão não é tão fácil como parece. Muitos pensam que, por vivermos em um país onde o índice de criminalidade é baixo e as armas não são tão fáceis de serem adquiridas, o trabalho se torna mais fácil. Pelo contrário, não é bem assim. Pois quem possui armas e está envolvido no mundo do crime traz o fator do anonimato e surpresa. Além disso tem também a facilidade da entrada e da saída, por meios que não são usuais. Daí o perigo se torna mais presente e frequente”, explica David.

Ele aponta outro fato que são as várias etnias que se encontram em eventos e clubes. Daí surgem a dificuldade de comunicação e as diferenças culturais. “Reunindo isso mais o fator álcool gera uma mistura explosiva e perigosa”, relata.
Para manter o glamour dos eventos
“Vivemos também no meio dos frequentadores normais, sociáveis e renováveis de tempos em tempos. No caso de desavenças e brigas a instrução é: ser sempre respeitoso, educado e imparcial. Na verdade, não somos juízes para julgar e determinar sentenças, porém a função do segurança dá autonomia para servir e também para manter a ordem, protegendo o local e as pessoas ali presentes, sempre preservando a integridade de todos. O segredo para nunca se comprometer e nem correr riscos é ser sempre neutro em relação aos heróis e vilões”, explica o dono da Security Brutal Team.
Apesar da longa experiência, “a ansiedade e a preocupação começam a partir do momento que o contrato é fechado e vai aumentando na medida em que se aproxima o evento. No dia, sinto o peso de toda responsabilidade em mim confiada, e a preocupação com os integrantes da equipe e obviamente com o público. Só com o tempo aprendi a controlar a ansiedade e minimizar os riscos para o trabalho ser sempre o mais positivo possível”, explica David.

Parceria dentro e fora de casa
Casado com Sabrina Kaibava que também é segurança, ele conta que essa união e parceria existe há 16 anos. Ele percebeu que havia necessidade de segurança feminina e resolveu investir nisso para complementar o quadro de seguranças.

David revela que quando era criança sonhava em ser bombeiro e salvar vidas. Com essa atividade, ele pode reviver um pouco do sonho da época. “A Security Brutal Team significa a minha história de vida em terras nipônicas, e posso dizer que aprendi a respeitar mais eu mesmo e os outros”, traduz seus sentimentos que simbolizam a sua vocação.
Por outro lado, o David pai e marido, tem como foco a família e quer ver os filhos crescerem com saúde e felicidade.

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