Ibaraki, no Japão, lança programa de recompensas para gorjetas dadas a trabalhadores estrangeiros sem documentos.
MITO, Japão – A província de Ibaraki, a nordeste de Tóquio, lançou nesta segunda-feira um programa controverso para recompensar pessoas que denunciarem empresas que contratam trabalhadores estrangeiros ilegais.
Após verificar a veracidade da informação, o governo da prefeitura denunciará os empregadores à polícia. Se a informação levar a alguma ação judicial, o denunciante receberá uma recompensa de 10.000 ienes (US$ 64).
O programa foi implementado depois que a prefeitura declarou ter o maior número de trabalhadores estrangeiros sem documentos entre as 47 prefeituras do país por quatro anos consecutivos.
O governo local alega que trabalhadores estrangeiros são necessários em meio a uma grave escassez de mão de obra e que o combate ao recrutamento ilegal ajudará a combater as violações dos direitos humanos.
De acordo com as diretrizes da prefeitura, as denúncias serão limitadas a empresas que recrutam, intermediam ou são suspeitas de facilitar o emprego ilegal, e informações enviadas com intenção maliciosa ou sobre indivíduos com base em sua aparência ou nacionalidade não serão aceitas.
As denúncias podem ser feitas através do site da prefeitura, fornecendo informações pessoais como nome, endereço e número de telefone, e devem incluir uma cópia de um documento de identidade, como uma carteira de motorista, informou a prefeitura.
O programa tem gerado preocupações desde o seu anúncio em fevereiro, com uma associação de advogados local e grupos cívicos que apoiam residentes estrangeiros afirmando que ele fomentaria a discriminação e a divisão social.
Após receber pedidos de diversas organizações solicitando o abandono do programa, o governador de Ibaraki, Kazuhiko Oigawa, declarou em uma coletiva de imprensa em abril que corrigir atos ilegais era "uma responsabilidade fundamental" do governo local, acrescentando: "Isso é totalmente diferente de excluir estrangeiros".

