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Ibaraki oferece dinheiro em troca de gorjetas para trabalhadores estrangeiros sem documentos.

MITO — Enfrentando o maior número de empregos ilegais do país, o Governo da Prefeitura de Ibaraki proporá um sistema de recompensa em dinheiro para gorjetas de trabalhadores estrangeiros sem documentos a partir do ano fiscal de 2026.

O programa coletará informações sobre estrangeiros que trabalham sem visto e oferecerá recompensas caso uma denúncia leve a uma prisão pela polícia.

O custo foi incluído na proposta orçamentária inicial para o novo ano fiscal, anunciada em 18 de fevereiro.

Embora a Agência Nacional de Serviços de Imigração possua um sistema de denúncias semelhante, programas em nível de prefeito são raros, disseram as autoridades.

"Precisamos tomar medidas drásticas para resolver esse problema", disse o governador de Ibaraki, Kazuhiko Oigawa, em uma coletiva de imprensa.

Respondendo às preocupações de que essa política pudesse encorajar informantes ou levar a violações dos direitos humanos, o governador disse: "Não permitiremos, de forma alguma, que isso se torne uma situação imprudente que deixe até mesmo os trabalhadores estrangeiros mais diligentes desconfortáveis."

MAIOR TAXA DO JAPÃO

Essa decisão surge em um momento em que as autoridades da província de Ibaraki buscam soluções para o elevado número de estrangeiros que trabalham ilegalmente, principalmente no setor agrícola.

Segundo a Agência de Serviços de Imigração, dos pouco mais de 14.000 estrangeiros identificados como trabalhando ilegalmente em todo o país em 2024, 3.452 estavam na província de Ibaraki, o maior número entre todas as províncias pelo terceiro ano consecutivo.

Anteriormente, a equipe da prefeitura se concentrava em campanhas que incentivavam os empregadores a não contratarem trabalhadores sem documentos.

O novo sistema online foi projetado para aprimorar a coleta de informações de grupos industriais e municípios.

Nesse sistema, os funcionários da prefeitura investigarão as informações e entrarão em contato com a polícia caso haja suspeita de emprego ilegal.

A recompensa deverá ascender a várias dezenas de milhares de ienes.

"Vamos trabalhar nos detalhes do sistema de uma forma que respeite os direitos humanos", disse um funcionário do escritório de promoção do emprego adequado para estrangeiros.

O funcionário acrescentou que a prefeitura espera receber mais informações sobre empresas que empregam estrangeiros ilegalmente do que sobre estrangeiros que trabalham ilegalmente.

CRÍTICOS DÃO VOZ AOS TEMORES

Um sistema nacional semelhante existe desde 1951, oferecendo até 50.000 ienes (US$ 320) se uma denúncia levar a uma ordem de expulsão.

No entanto, de acordo com a Agência de Serviços de Imigração, nenhuma recompensa foi paga entre 2021 e 2025.

O anúncio da Prefeitura de Ibaraki gerou críticas de Jiho Yoshimizu, diretor da Nichietsu Tomoiki Shienkai, uma organização sem fins lucrativos com sede em Tóquio que apoia a população vietnamita no Japão.

Yoshimizu afirmou que muitos estrangeiros apoiados por seu grupo perderam suas moradias após serem demitidos de estágios ou fugirem de locais de trabalho abusivos. Sem condições de arcar com uma passagem de volta, acabaram prorrogando seus vistos, disse ele.

Yoshimizu argumentou que o sistema de recompensas dificultará que esses estrangeiros peçam ajuda por medo de serem denunciados, o que poderia levá-los a cometer mais crimes.

“O número de estrangeiros que optam por se esconder em vez de procurar ajuda pode aumentar”, disse ele. “Criar um ambiente seguro que lhes permita procurar aconselhamento o mais cedo possível é mais importante do que um mecanismo para aumentar o número de denúncias.”

Eriko Suzuki, professora da Universidade Kokushikan especializada em políticas de imigração, descreveu a medida da prefeitura de Ibaraki como "uma forma de xenofobia oficial" que corre o risco de atrair informações imprecisas.

Embora tal sistema seja "compreensível" quando administrado pela agência nacional de imigração, que possui poderes investigativos, Suzuki questiona se essa função deveria caber ao governo local.

Ela enfatizou que o dever primordial de um município é prestar serviços aos residentes, e não identificar estrangeiros que trabalham ilegalmente.

(Este artigo foi escrito por Morio Choh, Tomonori Asada e Chika Yamamoto.)